Que os corredores da Gávea escutem a entrevista de Filipe Luís na hora da escolha do próximo treinador

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(Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo)

A entrevista de Filipe Luís ao jornal O Globo é o grande destaque do dia. A cada manifestação do lateral esquerdo fica evidente a perspicácia na análise tática de jogo e do conhecimento propriamente dito dos treinamentos. Deixou explícita que está conduzindo sua carreira, após pendurar as chuteiras, para ser treinador.

Ficou evidente também que, assim como a torcida, os jogadores não se contentam com um treinador mediano, que empilha treinos novos a cada atividade. É um elenco vencedor, que precisa contar com um treinador experiente, vitorioso, que convença seus comandados com ideias claras, as vezes sem precisar ser revolucionárias.

O próprio lateral conta que Jesus utilizava o tradicional e esquecido 4-4-2, abandonando o usual 4-3-3: “Com ele, era assim: o time jogava no 4-4-2, com Gabigol e Bruno Henrique na frente, Arrascaeta e Everton Ribeiro vindo por dentro, saída de três com Arão, laterais sobem… Eu te falando isso dura dez segundos, mas para ele são quatro treinos”.

Parece simples, mas era um esquema onde todos os jogadores sabiam exatamente o que fazer e de que forma se posicionar após perder a bola: “Os (treinos) do Jesus eram simples, quase sempre a mesma coisa, mas abriam a cabeça”, destacou o lateral.

Se tiver alguém lá dentro do Flamengo que souber interpretar essa entrevista do Filipe Luís, já é possível ter uma ideia de qual treinador precisam contratar para a próxima temporada.

Por isso é cedo falar em barca ou debandada de um elenco que recentemente ganhou seis títulos seguidos e parecia inaugurar uma nova era no futebol brasileiro.

Atualmente parece um time frustrado em campo, abatido e sem encontrar a medida certa das vitórias. Evidente que há muitos erros individuais – o mais destacado é o baixo percentual de aproveitamento das grandes chances criadas.

O Sofascore revelou números assustadores de queda: de 2019 pra 2020, Gabigol caiu de 68% para 28%, Arrascaeta de 70% para 27% e Bruno Henrique de 50% para 28%. É possível que tudo isso seja reflexo do problema maior: a falta de um treinador atualizado com as ideias do Flamengo em sintonia com as principais características do elenco.

Não querem um treinador paizão, amigão, sem experiência e indeciso, que muda treino três vezes por semana.

Filipe Luís detalha como era o treinamento com Jesus, ao O Globo: “Era muito detalhe, e ele ia falando em todos os treinos e todos os dias. E tinha outra coisa: ele transmitia pra gente que ele era o melhor treinador do mundo e inventou o futebol. Era mais ou menos isso. E o jogador gosta de escutar isso. Diziam que ele era arrogante, pode ser. Quem não é flamenguista achava. Mas quem estava lá, pensava: ‘Não é que ele é bom mesmo, que ele sabe mesmo…?’. Talvez tenha sido o mais meticuloso, detalhista, completo que eu tive”, finalizou.

Acreditaram que mesmo sem Jesus o Flamengo jogaria no modo automático. Ledo engano. Treinador ganha título.A entrevista do Filipe Luís é um grito que precisa ser ecoado pelos corredores da Gávea.

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