“Barça de Guayaquil convida o Flamengo para o duelo do desespero”, por Joza Novalis

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(Foto: André Durão)

Confira a análise espetacular de Joza Novalis, colaborador do Ninho da Nação, sobre o adversário do Flamengo pela quarta rodada da Copa Libertadores: Barcelina de Guayaquil, nessa terça-feira, às 19h:15min.

Joza, inclusive, tem uma conta no youtube. Corra lá e se inscreva no canal:

O Barça de Guayaquil, novo rival do Flamengo na sequência da Libertadores, é um time com problemas. Mas não se iludam, pois tentará converter seus problemas em arma capaz de derrotar a machucada esquadra dirigida do Domènec Torrent.  ‘Bora ver o que esse Barcelona tem de bom e de ruim, as pistas que ele deixa na mesa sobre suas tentativas de vitória, assim como as brechas que ele deixa no campo para o necessário triunfo rubro-negro.

Momento institucional, como é?

De devastação. Fogo amigo circula incessantemente por dentro, devastando relações, danificando o pouco de confiança que persiste entre alguns poucos dirigentes, envergonhando o clube aos olhos dos seus seus rivais. O presidente Alfaro Moreno não tem apoio nem daqueles que o bancaram ao cargo e tampouco confia, atualmente, na própria sombra. Uma dívida de US$ 45 milhões pede pagamento para a semana passada; US$ 30 milhões, dos quais, foram gerados apenas na temporada de 2019. Jogadores acessam a Justiça em busca de pagamentos e indenizações; a FIFA ameaça suspender as atividades do clube por falta de acerto com o Montevidéu Torque, do Uruguai; salários atrasados cortaram o canal de comunicação entre jogadores e a diretoria de futebol; empresários são recrutados para que atletas sejam oferecidos a preço de banana mundo afora. E esta situação lembra o quê?

O contexto vivido pelo Olimpia, no ano de 2002, às vésperas de seu jogo final contra o São Caetano pelo caneco da Libertadores. Na ocasião, o Decano paraguaio perdera para o “Mito Brazuca” por 1×0 nos seus domínios e sem ver a cor e a forma da esférica. Então, foi ao Pacaembu precisando de uma vitória improvável. Antes disso, contudo, inúmeros carros, certa noite, fecharam o bairro onde o presidente morava; jogadores receberam ameaças, a justiça ameaçava retirar até taças da sua gloriosa sala de troféus de maneira a forçar o clube ao acerto de contas com funcionários, jogadores e comissão técnica; o médico, seus assistentes e o preparador físico ameaçavam não viajar a São Paulo e os atletas não falavam uns com os outros.

No primeiro tempo do jogo no Pacaembu, o Azulão guardou uma pelota no arco, com Aílton, o mesmo que havia faltado com respeito ao Decano no Defensores del Chaco anotando o tento do triunfo da esquadra azul do ABC Paulista. Então, veio o intervalo. Nos vestiários, o técnico Nery Pumpido não fala nada de tática ou coisa parecida. Simplesmente transmite aos jogadores uma mensagem emotiva do presidente Osvaldo Dominguez Dibb, que renunciara ao cargo poucas horas antes da viagem a São Paulo e que ameaçava até deixar o país: na mensagem ele dizia: “pelo amor de Deus, vençam essa partida por mim; é a minha vida que está em jogo. E talvez, também a de vocês”. Com apenas 10 minutos de jogo do segundo tempo, “La O Franjeada” praticou a dança do vira sob olhos incrédulos de 32 mil pessoas, levou a disputa aos pênaltis e levou o caneco da Libertadores para Assunción. História curiosa e interessante, mas história que é do Olimpia e não do Barcelona. Da mesma forma, tampouco o melhor São Caetano da história chega perto das dimensões do Rubro-Negro da Gávea.

E dentro de campo, como está o Barcelona?

Desajeitado. Poucas coisas parecem funcionar e chama a atenção a indisciplina tática de alguns jogadores. Isto tem muito a ver com a dificuldade do bom técnico Fabián Bustos, atual campeão nacional com o Club Delfín, de impor seu trabalho no Barça. Sendo assim, temos uma equipe que se sobressai pelas individualidades, o que a torna refém de circunstâncias. Ou seja, se determinado jogador não estiver em boa jornada tudo pode ir por água abaixo; se um atleta é expulso a derrota é quase certa, se sai perdendo a partida, dificilmente consegue virar e, muitas vezes, até leva mais gols. Porém, vejamos o esquema de Bustos.

O técnico argentino aposta sempre no 4-2-3-1 como o melhor esquema para sua equipe. Do ponto de vista da progressão, o sistema gera a opção de associação entre laterais e os dois homens abertos da linha de 3. Também oportuniza a subida dos laterais, que, no caso, precisam dispor de muita energia para o passeio constante entre setor defensivo e ofensivo. O esquema oferece ainda a possibilidade de os dois homens de lado do meio-campo atuarem como típicos extremos, situação em que um ou outro lateral costuma se apresentar na intermediária fazendo-se de volante defensivo, sobretudo quando um dos volantes originais percorre por dentro e pisa na área para qualificar a chegada e, muitas vezes, arrematar para o arco. Todavia, nada disso tem funcionado no Barcelona

O lateral-direito Castillo não se entende com Emmanuel Martínez, parecem desentrosados e a associação peca pela falta reconhecimento das intenções de um e de outro, na fase ofensiva. Ideal é que quando Martínez entre em diagonal, Castillo tente aprofundar o campo para esticar a linha defensiva, o que, em regra geral, não ocorre. Martínez é muito bom jogador, porém tem sido um dos mais indisciplinados taticamente. Frequenta muito os vários espaços do campo, mas recompõe bem mal, o que desfalca o sistema defensivo quando a equipe sofre contragolpes.

Outro problema são os dois laterais, Piñeda e Castillo  tratam bem da redonda e sabem fazer o corredor, às vezes, com eficiência. Mas o primeiro não vive boa fase, sobretudo fisicamente; já o segundo, Castillo, bela promessa equatoriana, mostra-se afoito no combate, quando a bola é perdida no ataque. Ou seja, a recomposição defensiva não funciona a contento e oportuniza aos adversário inúmeras chances de gol. Segredo, portanto, para o Flamengo, é abusar de jogar pelo lado do campo, sobretudo nos contra-ataques.

E o que ainda funciona no Barça?

Se há algo no 4-2-3-1 que tem funcionado é a progressão de Orejuela. A equipe joga com o brasileiro Gabriel Marques como volante de contenção e com Orejuela funcionando como um box-to-box. Na etapa de transição ofensiva, Martínez cola na linha lateral, Díaz abre um pouco para a esquerda e oferece o corredor para Orejuela passear. É uma jogada interessante que deve colocar a zaga flamenguista em alerta. Mas há outro ponto interessante: Damián “el Kitu” Díaz.

O camisa 10 do Barcelona é o maior ídolo atual do conjunto “torero”. Mesmo com 34 anos de idade segue a presentear sua torcida com a elegância do seu futebol. Mas não apenas pela elegância, pois o que parece nonsense, muitas vezes, resulta na eficiência que leva o Barcelona ao triunfo. “Kitu” Díaz é o homem da bola parada, das inversões e dos lançamentos certeiros de média e longa distâncias. Experiente, despista bem a marcação com o uso do corpo e com a corriqueira aparência de “morto” que muitas vezes encena diante de jogadores que vão a campo compromissados com a anulação do seu jogo.

No 4-2-3-1 de Fabián Bustos, Damián Díaz é o homem centralizado, mas que costuma trabalhar pela esquerda. No caso, em determinados jogos, costuma funcionar bem a associação com o lateral ou com um dos meias abertos, que pode ser o Quintero ou Arroyo. Esta associação permite que o enganche argentino entre em diagonal para tentar o arremate. Porém, tanto na fase de construção desde o fundo quanto nas saídas rápidas para o contragolpe a melhor versão de Kitu Díaz surge justo quando os defensores o deixam de lado. O Barça tende a chegar com muita gente ao entorno da área adversária, empurrando a linha defensiva para o fundo e com dois homens abertos. Enquanto a defensiva adversária tenta defender os espaços da contundência gerada pelos extremos ela permite que o camisa 10 se apresente para o arremate de fora da área. Esta é uma das jogadas com o que mais o sistema defensivo brasileiro terá de se preocupar diante do Barça de Guayaquil.

O que mais pode ajudar o Flamengo?

O desespero. No caso, poderíamos até dizer que de ambas as parte. Porém o do Barça é quase sem precedentes na história do clube. Na interna da instituição, não há um único dirigente que ainda conta com a possibilidade de classificação. Mas todos sabem que uma vaga na Sul-Americana não seria de todo ruim. Até aí tudo bem, não fosse a derrota inesperada para o Junior Barranquilla na última rodada. Uma derrota para o Flamengo praticamente anula as chances de ir à Sul-Americana.

Sendo assim, o Barça tentará buscar o protagonismo diante do Fla. Mas não um protagonismo com a bola. A ideia vai ser a de ceder a redonda para o Rubro-Negro e se aproveitar dos espaços gerados pelos brasileiros. Ou seja, o que o Barça vai tentar fazer é obter o protagonismo mental da partida. Para tanto, dentro de sua proposta, a responsabilidade pela construção do jogo fica com os visitantes. À medida que estes não conseguirem criar chances de gols ou não se aproveitar das oportunidades criadas ele tende a se perder no duelo, fragilizando-se mentalmente e fortalecendo a equipe local. A proposta pode até ser interessante, mas ela é bem arriscada. Sucesso ou fracasso dela está diretamente ligado ao momento do primeiro gol rubro-negro. Se ele ocorrer nos primeiros minutos, um Barcelona perdido em campo pode facilitar muito o trabalho do Flamengo.

Diante de tudo o que foi dito, e a despeito de todos os problemas da equipe rubro-negra, não há como não apontá-la como favorita para o confronto. O Flamengo precisa da vitória e terá um cenário que pode ser muito favorável para tal. Basta só duas coisas. A primeira é que os jogadores entendam a temperatura do momento no clube e a necessidade de entregarem um pouco mais à equipe. A segunda é que Domènec faça o básico, acerte na formação e sobretudo nas inevitáveis alterações durante o jogo.

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One thought on ““Barça de Guayaquil convida o Flamengo para o duelo do desespero”, por Joza Novalis

  1. Avião é encubarora ambulante. Assim que a porta fecha a pressurização começa, o ar só renova quando a aeronave pousa e a porta abre. Sendo assim, o ar ambiente não renova e todo mundo respira o ar de todo mundo.
    Foi exatamente o que ocorreu com a delegação do Flamengo na ida ao Equador. O São Paulo esteve lá, jogou no mesmo estádio que o Flamengo e o nº de infectados pós retorno é zero.
    Evidente que o surdo se deu no voo do Flamengo, ou seja, protocolo me engana que eu gosto. Eu não gosto. Tem torcedor que defende.
    O Flamengo é o único responsável pelo surto e agora quer alterar o cronograma do Palmeiras, que não tem nada com isso. Se o jogo for adiado, vai perder uma semana programada para treinar, por responsabilidade do Flamengo.
    Não há qualquer dúvida que o Flamengo é o responsável pelo surto.
    O pior é imaginar que, torcedores do clube que eu torço querem a volta do público nos jogos, trata-se do hospício de dementes, pior que ir a praia, pois lá, é na faixa, esses torcedores que retornarão aos estádios vão pagar.
    É pior que falar que a terra é plana.

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