A importância do treinador em ter repertórios táticos e enxergar qual estilo seus jogadores podem render melhor

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(Imagem: André Durão / GE)

Um dos riscos que um treinador pode assumir é tentar implantar seu estilo de jogo a despeito das características da equipe. Por mais que tenha um esquema preferido, o treinador, principalmente quando chega no meio da temporada e não participa da montagem do elenco, precisa ter um repertório mínimo ou um jogo de segurança para conquistar as vitórias, trabalhar em paz e, assim, poder fazer com calma e tranquilidade a implantação de suas ideias.

Antes mesmo do nome de Domènec Torret ficar forte nos bastidores da Gávea, escrevemos aqui que havia um risco do Flamengo mudar seu estilo de jogo, ao escolher um treinador com ataque posicional, como era o catalão.

Confira trecho:

“Há um risco do Flamengo, sem querer, mudar seu estilo de jogo, ao escolher o substituto de Jorge Jesus. Não que com Domènec Torrent a equipe deixaria de ser estruturada ou os jogadores não se adaptariam, mas, com o Brasileirão batendo na porta, é importante que o estilo de jogo não sofra mudanças bruscas”.

Não que Torrent busque implantar um jogo reativo. É impossível, num jogo de posição, a equipe entrar em campo por uma bola. Contudo, pode ser que tenham vendido a ideia de que para vir para o Flamengo bastava os atributos de ser ofensivo, subir a marcação e fazer muitos gols, quando, um time pode jogar exatamente dessa forma, mas de algumas maneiras: a do Domènec e a do Jesus. Cada um tem seu estilo e precisa ser entendido.

Um bom sinal para evoluir, é quando o treinador não é refém dos seus dogmas. Comparações são ruins, mas servem para balizar uma situação. Jesus entendeu rapidamente qual esquema poderia encaixar dentro do elenco que tinha em mãos. Já pensou no Arão de primeiro volante, não insistiu com Gagibol de atacante fixo, mesmo sendo este um desejo, não insistiu com Filipe Luís subindo até a linha de fundo (o lateral convenceu o ex-treinador a mudar seu posicionamento tático). Teve tempo para isso, embora os resultados não viessem de imediato.

Domènec anda alternando o 4-4-2 com o 4-3-3. No jogo desse domingo contra o Botafogo apostou no 4-3-3, com Arão posicionado à frente da zaga e Diego e Everton no meio de campo. No ataque, Pedro Rocha foi a novidade pela esquerda, Gabigol na direita e Bruno Henrique de centroavante.

Antes, no jogo contra o Grêmio, apostou no 4-4-2. Mesmo com formações diferentes, o enredo foi praticamente o mesmo: time apresentou bons 30 minutos, não conseguiu o gol e acabou o jogo aí. Mesmo com as alterações, não conseguiu chegar perto da intensidade inicial. Olhando para o lado bom, pode ser sinal de que o time entendeu a proposta de jogo, mas a questão física ainda pesa.

Contudo, nesse domingo, no clássico, houve uma boa notícia, além do Pedro Rocha: Thiago Maia. Com um ou no máximo dois toques, finalmente o volante teve sua chance e foi uma grata surpresa. E o Flamengo teve bons 15 minutos finais, além da meia-hora inicial. Até Bruno Henrique cresceu.

No entanto, talvez a principal marca de 2019 do Flamengo, e que também é característica do jogo de posição que Domènec idealiza, ainda não aconteceu: a marcação pressão na saída de bola do adversário. Para ser ainda mais preciso, no jogo contra o Atlético-MG, o Rubro-Negro aproveitou umas três, quatro roubadas de bola no sufoco, mas não soube aproveitar. E foi a única vez em cinco jogos.

Apesar disso, tudo poderia estar em situação melhor se os jogadores de frente tivessem cumprindo seu papel. No futebol não existe o “se”, mas se Bruno passa aquela bola na medida para Gabigol contra o Atlético-MG, da mesma forma que rolou para Gabigol no jogo contra o Inter, no Beira-Rio, pela Libertadores, não estaríamos passando por isso agora. Os jogadores também precisam assumir suas responsabilidades.

Filipe Luís foi o jogador que mais tocou na bola contra o Botafogo: 109 vezes, com 92% de acerto e foi o grande nome do Flamengo. Já está em forma, jogando o fino, mesmo após os dias de folga pós-Carioca. Quem não entrou em forma ainda tem que ser cobrado. Ou ir para o banco, porque elenco farto, além de ajudar na rodagem, serve para gerar competição interna saudável. Ninguém tem cadeira cativa no time titular.

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