Todo mundo quer ser o Flamengo de 2019, mas ninguém quer ser o Flamengo de 2013

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O relatório anual do Itaú BBA sobre as finanças do futebol brasileiro, divulgado na última terça-feira (28), revelou que o Atlético-MG tem a maior dívida entre os grandes clubes do país.

O endividamento passou de R$ 614 milhões para R$ 746 milhões em 2019, deixando Botafogo (R$ 708 milhões), Corinthians (R$ 652 milhões) e Cruzeiro (R$ 631 milhões) para trás.

Segundo o relatório, o Atlético Mineiro está se colocando em risco. Segue trechos: “No início de 2020 se viu envolvido no risco de perder pontos por atraso de pagamentos a outros clubes, mas optou pro seguir uma prática antiquada e comum ao futebol associativo brasileiro, que é utilizar fundos de um empresário/associado para cobrir não apenas exigências urgentes, mas também para bancar contratações e remunerações que reforçam o elenco. O resultado dessas ações costuma ser ruim, porque há atletas que recebem e outros que não recebem”.

Mesmo assim, o clube mineiro não está preocupado em pagar contas. Na bizarra entrevista ao jornal O Globo na última sexta (31), o presidente do Atlético-MG, Sérgio Sette Câmara, admitiu os atrasos de salários para o elenco, mas prometeu a contratação de mais três reforços para o técnico Jorge Sampaoli. Ainda disse que quer desenvolver um trabalho “melhor que o do Flamengo”. E completou: “se for pagando dívida, não vamos fazer um time forte”.

O problema é que todo mundo quer ser o Flamengo de 2019, mas ninguém quer ser o Flamengo de 2013.

Ninguém está disposto a sacrifícios para buscar um resultado sólido à longo prazo. Quando a famosa “chapa azul” foi eleita, o objetivo era pagar dívidas. Os R$ 40 milhões de luvas do contrato com a Adidas, que havia sido aprovado no final de 2012, foi todo para quitar dívidas federais e obter as Certidões Negativas de Débito. Para isso, teve que cortar na própria carne, mandando embora seu principal jogador, Vagner Love. A torcida teve que se contentar com Hernane Brocador.

O dono do MRV, Rubens Menin, está investindo pesado em reforços e acredita que esse é o caminho para o seu time ser campeão. É um tiro de curto prazo, cujo passivo trabalhista, por exemplo, ficará todo para o clube. Caso tivesse em vigor fair play financeiro, o mecenato seria vedado, o que impediria times “dopados financeiramente”.

Segundo o relatório financeiro do Itaú, esse tipo de investimento é um risco para o clube: “O ideal nesses casos é que o patrocinador entre, aporte recursos para garantir a operação do clube, organização corporativa e assim os impactos financeiros positivos chegam no médio/longo prazo. Há caminhos mais seguros para o futuro. O Atlético Mineiro parece ter escolhido um cheio de riscos, guiando olhando o retrovisor”.

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