No dia em que o Botafogo fechou as portas do basquete, Flamengo deu mais um passo no seu projeto olímpico: apresentação do time de vôlei feminino

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É sintomático que no dia em que Botafogo informou o fim da sua equipe de basquete, cujo projeto havia se iniciado em 2017, o Flamengo, em união com o Sesc Rio, anunciou as jogadoras do seu time de vôlei feminino para a disputa da próxima Superliga, sob o comando do espetacular Bernardinho, dando mais um passo no seu projeto olímpico sustentável.

A equipe alvinegra, que na última temporada conquistou a Liga Sul-Americana e estava classificada para a próxima Champions League, passou por imensas dificuldades financeiras, com constantes atrasos salariais e crises internas.

A situação calamitosa do futebol ecoou no basquete. O tamanho do investimento no basquete nunca foi unanimidade entre as dirigentes do clube. A aplicação integral do patrocínio da Tim via incentivo fiscal não era bem vista, pois havia questionamentos do porquê essa verba ser destinada ao basquete e não ao futebol.

O Botafogo já havia encerrado também sua equipe de vôlei masculina, após anunciar participação na última Superliga.

Enquanto isso, o Flamengo segue cada vez mais consolidado como um verdadeiro clube poliesportivo. Contudo, quem enxerga hoje as conquistas e a presença de grandes atletas, pode não se lembrar do que precisou passar para chegar onde chegou.

O trabalho foi iniciado em 2013, com a dupla Marcelo Vido e Alexandre Póvoa. Um dos primeiros atos foi encerrar a equipe de natação, que contava com Cesar Cielo como grande astro. Era inviável ter grandes atletas, enquanto havia vazamentos na piscina do clube, resultando em prejuízo milionário na conta de água. Além disso, as equipes de judô e ginástica também foram fechadas, ficando somente com as categorias de base.

Após pagar dívidas e vários Darfs, além da alteração no estatuto do clube para alinhá-lo à Lei Pelé, quando limitou o mandato do dirigente para quatro anos, permitindo uma recondução, além da exigência de total transparência, participação de atletas nos diversos órgãos internos, obrigatoriedade de autonomia do Conselho Fiscal e veto ao nepotismo Deliberativo do clube a Lei de Incentivo Fiscal Rubro-Negra, o clube finalmente obteve as Certidões Negativas de Débito, o que abriu uma gigantesca janela de oportunidade para financiamento dos seus esportes olímpicos.

Com as CNDs em mãos, o Flamengo passou a receber verba de recurso de incentivo fiscal (ICMS), via governo estadual, a participar de chamamentos públicos do governo federal, através da Lei de Incentivo ao Esporte para aquisição de equipamentos e a ser o “campeão dos editais” da Comitê Brasileira de Clubes. Além do programa Anjo da Guarda Rubro-Negro para pessoas físicas e jurídicas.

Dando um passo por vez, o Flamengo foi reconstruíndo sua gloriosa história olímpica. Em dezembro de 2015, foi criado o Centro Unificado de Identificação e Desenvolvimento de Atletas de Rendimento – CUIDAR, formado por profissionais das áreas de preparação física, fisioterapia, medicina esportiva, psicologia, nutrição, fisiologia, biomecânica, bioestatística, biomecânica e tecnologia esportiva

Concomitantemente, o clube buscou os melhores aparelhos para estruturar o espaço de treinamentos dos atletas. Graças aos incentivos, o Rubro-Negro reconstruiu seu parque aquático e centro de treinamentos da ginástica e judô.

Os frutos são colhidos. O Flamengo é o campeão brasileiro de basquete e de remo. A cada temporada reforça sua equipe de natação (nesse ano trouxe de volta Luiz Altamir e João de Lucca). Daniele Hypólito está de volta à ginástica do clube, sempre vitoriosa.

Agora é a vez do vôlei. O clube passou pela série C, B e chegou à elite do esporte dentro se quadra. Após um ano ruim no retorno à Superliga, resolveu unir forças com o campeoníssimo Sesc/Rio de Bernardinho. É o início de uma nova era, sempre dando um passo de cada vez.

O Flamengo aprendeu como fazer a roda da gestão olímpica girar. O basquete é o maior expoente: desde 2013 segue com salários em dia, estrutura sólida e gestão profissional. Não há mais espaços para projetos aventureiros e de curto prazo.

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