Tostão: “Como disse o mestre Cruyff, não basta treinar, é preciso praticar”

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Confira a coluna do Tostão nessa quarta-feira (29), na Folha de SP:

“Pela milionésima vez – não será a última -, escrevo sobre os clássicos meias-ligações brasileiras, muito elogiados e críticos, um assunto tão discutido no jornalismo esportivo.

Esses jogadores atuam entre volantes e atacantes, em pequenos espaços, não participam da marcação, tentam receber uma bola livre, atrás dos adversários adversários e, de vez em quando, passam decisivos e fazem gols. Quando isso acontece, são definidos como craques. Se não, são rotulados de preguiçosos.

Dos meias de ligação que atuam no Brasil, o mais promissor é o jovem Jean Pyerre, do Grêmio, e também Luan na temporada passada.

Como nas categorias de base ele é executado mais, como um segundo volume, é diferente dos outros. Gosta de receber uma bola mais recebida, com uma ampla visão do conjunto, para obter ótimos passes, além de finalizar, com precisão, de fora da área. Se for para a Europa, certamente irá escalar-lo como meio-campista, para jogar uma intermediária para outra.

Luan, em seus melhores momentos no Grêmio, tinha uma companhia de Maicon e Arthur, que tratava muito bem de bola e, junto com ele, comandava o tempo. No Corinthians, isso não existe. O tempo corre muito, mas a bola corre pouco.

Muitas equipes, principalmente na Europa, jogam com uma ponta de lança, perto do centroavante, em nenhum lugar da meia ligação. São diferentes. O ponto de lançamento tem o recurso de atacante, artilheiro e volta apenas para receber uma bola. A meia ligação é um armador, que costuma executar longe do centroavante e do gol.

Uma razão importante para os europeus não ter uma meia ligação é o fato de os campos serem mais compactos. O meio-campo desarma, avança e se aproxima dos jogadores de frente. Não há espaço para um jogador entre eles.

Dos principais times da Europa, o único que usa uma meia ligação é o Manchester United, após uma contratação do português Bruno Fernandes, que foi contratado pela equipe inglesa.

Outro motivo para não ter uma meia pelo centro é que outros jogadores fazem essa função. No Flamengo europeu, dirigido por Jorge Jesus, o meio-campista Gérson marca, inicia como jogadas de trás e chega à frente, pelo centro. Éverton Ribeiro e Arrascaeta, pelos lados, sem posições fixas. Entre na diagonal e, pelo meio, faça jogadas decisivas.

Será que um dia os tempos brasileiros deixam de ser divididos entre volantes que marcam e meias que avançam, deixam de ter pontas coladas às laterais e centroavantes fixos durante todas as partidas e deixam de iniciar e terminar os jogos com o mesmo desenho tático na prancheta , tudo certinho, repetido?

Evidentemente, o problema das equipes brasileiras não é apenas tático nem prejudicado pela presença de um clássico meio de ligação. Também é pela falta de melhor técnica individual, execução de fundamentos de posição, como desarme, passe, drible, finalização, cobrança de falta, lucidez nas decisões e outros detalhes.

Os jogadores e os times, desde as categorias de base, preocupam-se demais com a habilidade e com a estratégia de jogo e esquecem de melhorar a técnica individual.

Como diz o mestre Cruyff , não basta treinar, é preciso ensaiar, não tem vergonha de aprender. Em qualquer atividade, apenas aprenda quem quer e quem não acha que sabe tudo.

Não o conheci, mas admiro seu bom senso de humor , sua versatilidade, sua leveza e seu sorriso agregador”.

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