Há um risco do Flamengo mudar seu estilo de jogo, ao escolher um treinador com ataque posicional, como Domènec Torrent

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(Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF)

Não há dúvida que Jorge Jesus deixou um legado no Flamengo. A busca pelo jogo vertical, veloz, com intensa troca de posições capaz de desnortear o adversário, além da sede insaciável pela vitória, por fazer gols e por dar espetáculo, ao estilo Cruyff, que dizia que não basta ganhar, é preciso proporcionar espetáculo ao torcedor que paga o ingresso, por isso preferiria ganhar de 5 x 4 do que de 1 x 0.

Para a escolha do novo treinador, é importante que os dirigentes percebam que uma equipe pode ser organizada e se posicionar bem em campo, e outra pode ser organizada, se posicionar bem em campo e ser vertical em busca do gol.

Há um risco do Flamengo, sem querer, mudar seu estilo de jogo, ao escolher o substituto de Jorge Jesus. Não que com Domènec Torrent a equipe deixaria de ser estruturada ou os jogadores não se adaptariam, mas, com o Brasileirão batendo na porta, é importante que o estilo de jogo não sofra mudanças bruscas.

Torrent é adepto do jogo de posição, após anos trabalhando com o expoente máximo desse estilo: Pep Guardiola. É importante dizer que o Flamengo não deixaria de ser ofensivo, de ter posse de bola, de ter linhas altas de marcação, mas seria menos vertical, menos ostensivo em busca do gol, com jogadores ocupando zonas pré-determinadas e aguardando a chegada da bola.

O que seria o oposto do que o Rubro-Negro jogou ano passado. Por mais que Jorge Jesus seja adepto do “Cruyffismo”, ele entendeu a forma que o Flamengo precisaria jogar, especialmente no Maracanã. Ali, a movimentação era em torno da bola e havia ampla liberdade para os homens do setor ofensivo trocarem de posições.

Confira como jogava o Flamengo ano passado:

No jogo posicional, a busca é por desequilibrar o adversário através da construção da jogada antes da finalização, gastando um tempo com a bola até buscar a melhor solução. O jogador ocupa determinado espaço no ataque, vai agir dentro dessa zona e esperar a bola chegar. É importante que os atletas sejam ágeis e inteligentes para ocuparem os espaços criados por desatenção da defesa, seja por uma triangulação ou uma jogada individual.

Jesus praticava no Flamengo o ataque funcional, embora também tivesse posse. Era a junção perfeita. A organização ofensiva se baseava onde a bola estava, sem zonas fixas. O objetivo era agrupar os jogadores por onde a bola passar – conforme imagem acima.

Gabigol é o exemplo máximo: não havia obrigação, por ser o artilheiro, de se posicionar apenas dentro da grande área. Caso fosse contratado um treinador com estilo posicional, com definição de zonas, o atacante ficaria mais preso dentro do seu espaço pré-definido. Os laterais se posicionariam mais abertos, perto da linha lateral e, dessa forma, Rafinha e Filipe Luís deixariam de ser os construtores das jogadas.

São mudanças sutis, mas que podem atrasar o desenvolvimento do trabalho, especialmente quando a sequência de jogos será brutal e com pouco tempo de treinamento. Com Domènec Torrent o Flamengo não passaria a ter um jogo reativo, mas a torcida teria que ter paciência para a intensa troca de passes até desestabilizar o adversário. A equipe também perderia uma parte do encanto de ter um ataque vertical, demolidor e com muitos gols.

Por isso, na lista dos dirigentes da Gávea, Leonardo Jardim e Carlos Carvalhal são os dois primeiros nomes de desejo dos Rubros-Negros.

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