CBF não divulga regras e Brasileirão mais uma vez não terá fair play financeiro

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Em agosto do ano passado, CBF e clubes definiram o modelo de fair play financeiro para 2020.

Houve uma reunião entre representantes da CBF, dos clubes brasileiros e da Ernst & Young, para finalizar as regras de disciplina financeira a serem utilizadas na Série A (implementação dos primeiros itens) e na Série B (orientação).

Segue a reportagem:

Todas as previsões de implantação nesse ano foram enterradas. Uma das justificativas foi a pandemia do novo coronavírus.

E o pior: além de não disciplinar regras, a bancada da bola conseguiu aprovar no Congresso a suspensão dos pagamentos do Profut durante o período da pandemia.

E teve mais: foi previsto ainda o adiamento das demonstrações financeiras e das prestações de contas por até sete meses. Os dirigentes foram poupados da má gestão em caso de descumprimento das regras da Lei Pelé: só serão afastados e ter seus atos anulados após o trânsito em julgado do processo administrativo ou judicial.

Sem regras rígidas de gestão que impeçam o descontrole financeiro, os clubes, mesmo com salários atrasados, continuam contratando, em clara construção de equipes montadas artificialmente.

O Botafogo sofreu recentemente uma intervenção judicial para garantir o pagamento dos salários dos funcionários. Nessa semana, o sindicato entrou na justiça para que os 450 colaboradores possam ter seus salários garantidos. Enquanto isso, o clube alvinegro anunciou o lateral Victor Luis. Anteriormente, já havia contratado Kalou.

O Corinthians chegou a ter três meses de salários atrasados. A dívida aumentou em R$ 196 milhões e chegou a R$ 665 milhões, sendo R$ 110 milhões referentes a Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de funcionários e jogadores.

Mesmo assim, após rescindir com Vágner Love, a equipe paulista anunciou a contratação do atacante Jô, de 33 anos, por três anos de contrato, com salário de R$ 700 mil por mês.

Enquanto o fair play financeiro da CBF ainda não tem suas regras divulgadas, coube a Fifa executar as punições. O Cruzeiro foi punido com a perda de seis pontos no Brasileiro da série B.

O resultado é uma violação do equilíbrio esportivo no próximo Campeonato Brasileiro. Cruzeiro foi exemplo disso, conquistando duas Copas do Brasil dopado financeiramente. Muitos se discutem sobre divisão das cotas de televisão contra um suposto desequilíbrio do futebol, mas ter regras de licenciamento para que todos os clubes possam iniciar um campeonato de forma homogênea é também uma defesa da integridade esportiva.

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