Análise do jogo: Carioca 2020 – 1º jogo da final: Fluminense 1 x 2 Flamengo

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A jogada construída do primeiro gol do Flamengo foi uma das raras lembranças do time Rubro-Negro que fez a torcida se apaixonar. Até a finalização magistral de Pedro, a bola passou por Vitinho, Arrascaeta e Gabigol. Um gol com o DNA do clube da Gávea sob o comando de Jorge Jesus.

É um equívoco dizer que em duas partidas tudo se perdeu, que os jogadores esqueceram a forma de jogar, que o Flamengo perdeu sua identidade. Mas fica evidente que há algum incômodo em campo. Pode ser uma junção de fatores, porém, a verdade é que tudo parece ter ficado estranho após as fortes especulações da saída de Jorge Jesus para o Benfica.

O Flamengo aprendeu a jogar com rotação alta, e precisa de mobilização para que as principais características da equipe sejam potencializadas. E, nesses dois jogos contra o Fluminense, não houve sequer um esboço de uma equipe que sobe a marcação, que pressiona a saída de bola, sendo esta a marca registrada do Rubro-Negro.

Para enfrentar adversários com defesa postada, é preciso movimentação e intensa troca de posições para confundir os zagueiros e abrir espaços. Somente em um momento o Flamengo foi capaz disso e abriu o placar.

É justo dizer que foram apenas três jogos após uma paralisação de três meses, sendo a metade apenas treinando. Para quem joga um futebol reativo, se resguardando e buscando uma ou duas chances, esse tempo não interfere tanto. No entanto, para times acostumados à intensidade, as perspetivas mudam.

E sem intensidade, sem interação, sem mobilidade, além de resultar em poucas criações, o sistema defensivo fica mais vulnerável. Daí a percepção de que Léo Pereira e Gustavo Henrique, que são bons zagueiros, passam por apuros e não estão rendendo como esperado.

Por mais que se busquem justificativas, como por exemplo, a falta da torcida na arquibancada, que faz o jogo, mesmo sendo uma final de campeonato, baixar a adrenalina e a concentração dos atletas, tudo parece levar a crer que o elenco sabe de coisa a mais do que está sendo dito pela imprensa portuguesa e brasileira. E o reflexo está sendo visto em campo.

Antes de iniciar a decisão, esperava-se um bicampeonato carioca tranquilo e sem sustos. Com o futebol Rubro-Negro igualado ao fraco futebol tricolor, a equipe das Laranjeiras ganhou esperança de uma conquista, por mais que seja improvável, principalmente pela força do elenco do Flamengo, com jogadores capazes de resolverem uma partida mesmo com o time tendo uma exibição apática.

(Foto: Alexandre Vidal & Marcelo Cortes / Flamengo)

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