Carioca 2020 – Flamengo 2 x 0 Boavista: Um modelo de jogo que parece não ter esgotamento, mas cada dia fica mais aperfeiçoado

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Que o Boavista não iria fazer frente ao Flamengo era esperado. Contudo, ver um adversário acuado, sem conseguir trocar quatro passes seguidos é muito raro, mesmo em nível regional.

O Rubro-Negro mais uma vez exerceu seu domínio, alternado troca de passes e rápida recuperação da bola. O Fla joga num 3-3-4: Arão com os zagueiros, Gerson com os laterais e o quarteto ofensivo lá na frente pressionando e sufocando o adversário.

Ao final do jogo, Jesus resumiu o que é o Flamengo hoje: “não importa o adversário, o que é mais importante são as nossas ideias”.

Foram 21 finalizações contra apenas três do Boavista, com 710 passes trocados. Deve ter beirado os 90% de posse com a bola em jogo.

O Flamengo só sabe jogar dessa forma, independente de quem esteja do outro lado. Manteve exatamente a mesma ideia do ano passado e de antes da paralisação. Geralmente, fórmulas vitoriosas têm prazo de validade, seja por passar a ser estudada dia e noite pelos rivais, seja por perder peças importantes na engrenagem. O Rubro-Negro só não perdeu jogadores, como ampliou seu elenco. E a forma de jogar não demonstra nenhum esgotamento tático, mas aperfeiçoamento invejável.

O placar de 2 x 0 foi terrivelmente enganador. Foi impressionante, e até irritante, ver a quantidade de oportunidade perdida por querer dar mais um passe, ao invés de definir a jogada. Não foram uma, duas, foram umas cinco ou seis. O goleiro adversário também foi responsável por importante defesas e contribuiu para um placar 2 x 0.

Com a presença de Pedro em campo, o Flamengo perdeu em movimentação. Por mais que as jogadas fluíssem, fica evidente a falta que Gabigol faz. Com liberdade, o atacante se movimenta bastante, dificultando o trabalho defensivo da zaga adversária, puxando e tirando da grande área seus marcadores, dando brecha para as infiltrações dos homens de meio.

Bruno Henrique foi o pior, sem explosão em sem um bom entrosamento com um atacante mais fixo, foi peça nula a partida inteira. Com Pedro, teve dificuldades de encontrar seu espaço.

No primeiro tempo, as principais jogadas aconteceram pela direita, com Rafinha sendo o destaque. No meio de campo, Arão e Gerson foram impecáveis. O gol saiu em passe de Arrascaeta na medida para Pedro fazer o que mais sabe.

No segundo tempo, o Flamengo seguiu sua sina de preciosismo na hora da finalização. Era sempre um toque a mais aqui e ali, que impedia o placar de ser ampliado. Até que Gérson resolveu arriscar e marcou um golaço, em finalização de primeira, após assistência de Michael.

O detalhe da jogada, foi que o início do lance, quem recuperou a bola foi Arrascaeta, em roubada de bola muito semelhante ao jogo contra o Inter, no Beira-Rio, pela semifinal da Libertadores. Sem contar a roubada de bola que deu início ao gol de empate, na final contra o River Plate.

Outra vez Jorge Jesus promoveu as cinco substituições, já preparando para o restante da temporada, que prevê essa possibilidade. Com um banco recheado de opções, de jogadores que seriam titulares na maioria dos clubes, o Flamengo seguiu o ritmo e o mesmo padrão tático com Michael, Diego, Vitinho, Thiago Maia e Pedro Rocha em campo. E foi um caminhão de gols perdidos.

O Flamengo está a dois jogos de mais dois títulos para a conta do Jorge Jesus: a Taça Rio e o Estadual, que somaria no ano à Supercopa, Recopa Sul-Americana e Taça Guanabara.

É muito bom ver esse time em campo. Os jogos poderiam durar mais do que 90 minutos. A lástima é que provavelmente a torcida só o verá por mais duas vezes no mês de julho. Até chegar agosto e o início do Campeonato Brasileiro.

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