O líder Flamengo: o melhor modelo do Brasil. É hora de cobrar gestão dos clubes e não criação de liga no futebol brasileiro

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Muito tem se discutido sobre mercado de futebol, criação de liga para ter um campeonato competitivo, preocupação com a desigualdade financeira entre os clubes. Porém, poucos cobram gestão profissional.

Quando era o São Paulo tricampeão, Palmeiras e Corinthians alternando títulos brasileiros nessa década, não havia qualquer preocupação em alterar a rota do futebol. O risco de se criar uma hegemonia paulista, após uma série de conquistas, não foi levada em consideração.

Em especial, os clubes cariocas eram vistos como amadores, instituições com gestões deficitárias, estruturas de treinamento precárias. Jogar no Rio era sinônimo do mês durar 60, 90 dias. Constantemente o Flamengo era alvo de chacota por ser um vexame em campo, por não traduzir em títulos a austeridade financeira que vinha executando.

Essa história mudou. Somente o torcedor Rubro-Negro, especialmente os que acompanham o clube mais de perto, poderá entender o que significou essa absurda mudança de gestão, que se iniciou lá em 2013, e culminou com o ano histórico de 2019.

A narrativa crescente é de que o Flamengo agora é o vilão do futebol por querer o melhor para ele e não pensar no coletivo. Que absurdo! Quem, afinal, pensa? Os clubes que se utilizam de doping financeiro, contratando jogadores e ganhando campeonatos, às custas de sonegação fiscal, calotes e atrasos salariais, pensam no coletivo? Que coletivo é esse, de um só? Que exigência é essa?

A única intenção de criação de uma liga é coletivizar as cotas de televisão. Não se fala em gestão para elevar o nível do Campeonato Brasileiro, mas somente em cota para equilibrar o campeonato. Não se fala em fair play financeiro, para punir duramente clubes irresponsáveis financeiramente. Não se fala em padronização do balanço financeiro para se atestar a veracidade dos números.

Esquecem, contudo, que a distribuição da grana da TV aberta e fechada atende o modelo inglês, por exigência dos co-irmãos. E, justamente no ano que esse modelo entrou em vigor (40% igualitário x 30% transmissão x 30% colocação), o Flamengo conquistou o título brasileiro.

Importante destacar que, no ranking de receitas, justamente o Rubro-Negro foi uma das equipes que menos recebeu por transmissão na TV aberta e fechada, pois a Globo, para vender mais pacotes do PFC, colocou os jogos do Flamengo no pay-per-view. Não se assustem: a discussão da cota fixa do Rubro-Negro de R$ 120 milhões do PPV – que é inferior ao percentual que o clube teria direito, inclusive, já está sendo alvo de questionamentos.

PLACAR

O Flamengo é o melhor clube do Brasil em termos financeiros. O trabalho de austeridade iniciado em 2013 deu resultados e faz com que o Rubro-Negro apresente a melhor nota no recém-lançado Índice PLACAR/Itaú BBA de gestão esportiva, publicado na edição da revista do mês de junho.

O Flamengo teve notas negativas nos primeiros três anos e, a partir da primeira gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello em 2013, passou a ter números positivos, informa a revista.

O Rubro-Negro nunca deixou as primeiras colocações desde então. Nos últimos três anos, é o líder. Os números do balanço de 2019, o último disponibilizado pelos clubes e utilizado para registrar a última versão do índice, colocaram o Flamengo com uma nota 8, um ponto à frente do Goiás, o segundo colocado.

De acordo com o economista Cesar Grafietti, duas variáveis utilizadas para definir a nota de cada equipe são os principais fatores que explicam a boa gestão financeira do Flamengo: a margem EBITDA (que mede quanto da receita sobra para outras necessidades, como investimentos e pagamentos de dívidas) e a margem EBITDA recorrente (que considera os mesmos pontos, excluindo a venda de atletas).

“A margem EBITDA era muito negativa nos primeiros anos e foi melhorando. Isso é importante, porque as dívidas foram sendo reduzidas e o clube conseguiu gerar mais caixa. É reflexo desse processo de reestruturação que o Flamengo passou. Fica muito claro que o clube mudou totalmente. Melhorou a receita e diminuiu as dívidas”, explica o economista.

Em 2010, após o título Brasileiro, o Flamengo tinha a pior nota dos grandes clubes do Rio. O Fluminense chegou a ser o líder, mas naufragou após a saída da Unimed.

(Foto: Pilar Olivares/Reuters)

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