Exclusivo: Sabino, vice-presidente de marketing de 2016, explica como se deu a negociação do atual contrato em vigor com a Globo

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Com a edição da Medida Provisória, que permite que clubes mandantes possam negociar os direitos de transmissão, criou-se a expectativa de que o Flamengo poderia negociar a venda dos seus jogos. Contudo, há um contrato assinado com a Globo, cuja validade é até 2024.

Nesse contexto, surgiu outra dúvida: estaria o streaming incluso no contrato em vigor com a Globo ou o Flamengo estaria livre para negociar esse plataforma?

Corremos atrás da notícia e entrevistamos o José Rodrigo Sabino, então vice-presidente de marketing do clube em 2016, período que foi discutido a negociação com a TV Globo e aprovado no Conselho Deliberativo.

Sabino explicou como se deu o negócio:

“A Globo adquiriu por um valor alto as plataformas de TV aberta, TV fechada e PPV do clube. Obviamente que eles tiveram que se precaver de algum fato que pudesse interferir no valor dessas propriedades. As plataforma de OTT, on demand, streaming ficaram no pacote porque tudo tem interconexão. Na época do contrato, negociamos adicionalmente a tudo que estava na proposta três coisas:

Placas de publicidade – 100% do clube;

Venda para o exterior – 100% dos direitos da imagens sem narração pertencentes ao clube;

E por ultimo o streaming- naquele momento a maioria dos players que existem hoje nem existiam ou eram discutidos, mas quisemos nos precaver caso a Globo resolvesse repassar os direitos dela para um facebook da vida. Nessa discussão colocamos também uma divisão 50/50 de uma eventual venda a terceiros caso ela acontecesse. O maior contrato da historia do clube ainda inclui esses benefícios adicionais e ao mesmo preparava o clube para negociar de maneira diferente as propriedades que iriam aparecer de streaming ao longo desses seis anos”.

E concluiu:

“Em 2016 não existia nenhum player no brasil com capacidade ou interesse em adquirir os direitos esportivos via streaming. A Globo questionou que isso competiria direto com o premiere, o que faz todo sentido. Por isso chegamos nesse meio termo dela dividir uma eventual receita caso aparecesse algum interessado no futuro em botar muita grana pra levar o negocio”.

Atualmente, o contrato permite sim um desenvolvimento conjunto da transmissão via streaming, segundo Sabino:

“O contrato atualmente permite o desenvolvimento dessa venda em conjunto. O mais viável na minha opinião seria montar uma plataforma, e vender via Fla TV. Se a Globo vai ter interesse em acelerar isso eu já acho que não. Eles vão preferir fomentar o premiere play. Caso fosse ser feito algo, imagino que deveria ser criada outra plataforma para que se fizesse o modelo de cobrança seguro e correto. Que poderia ser o template da Fla TV. O contrato diz que os dois desenvolverão em conjunto”.

Segundo Sabino, a Medida Provisória terá peso na negociação em 2024. E, atualmente, só altera a discussão do Campeonato Carioca.

E finaliza:

“Só reforçar que o contrato foi muito bom pro clube. Foi tudo pensado da forma mais abrangente possível em termos de possibilidades. Nos permite acelerar essa discussão toda do novo modelo de transmissão tendo a maior receita possível. Mesmo no dia de hoje não teríamos nenhuma oferta completa que nos desse mais dinheiro do que foi fechado. Para ter um bidding do streaming isolado, os valores de tv aberta, fechada e ppv provavelmente seriam bem reduzidos, por conta da interconexao entre as plataformas”.

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