Sem previsão de retorno, imprensa argentina destaca desvantagem esportiva com times de outros países. Marcelo Gallardo solta a voz contra a falta de protocolos

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Vice-campeão da Copa Libertadores, ao ser derrotado na decisão para o Flamengo por 2 x 1, o River completou 100 dias de paralisação das atividades nessa sexta-feira (19), em virtude da pandemia do novo coronavírus.

Sua última partida foi no dia 11 de março, na goleada de 8 x 0 sobre o Binacional pela segunda rodada da Copa Libertadores.

Na Argentina, a previsão de retorno do futebol é apenas em setembro. A imprensa local destacou a volta do Flamengo aos gramados e já se imagina um desvantagem esportiva significativa quando a bola voltar a rolar.

“Todas as equipes argentinas que estavam participando da Libertadores ou da Sul-Americana no momento da paralisação, sabem que será muito difícil competir em igualdade de condições com os rivais que terão um ou dois meses de vantagem no trabalho. No mínimo”, destacou o diário Olé.

O jornal relatou o retorno do Flamengo aos gramados na quinta (18), que dez dos onze titulares, que estiveram na final da Libertadores, estiveram em campo. Sendo Léo Pereira o substituto do Pablo Marí.

“A Conmebol já preparou um protocolo pensando no retorno de seus torneios e considera setembro como uma possível data de retorno. Enquanto isso, a Argentina ainda não marcou nenhum dia no calendário e os clubes voltariam a treinar novamente em agosto. Eles terão tempo para se arrumar?”, concluiu a reportagem.

Marcelo Gallardo

O treinador multicampeão pelo River Plate concedeu uma forte entrevista à uma rádio local do país, criticando a falta de criação de protocolos pela AFA e o descaso do governo argentino com o futebol: “foi autorizado que empresas até 100 funcionários possam funcionar seguindo os protocolos. Por qual motivo o futebol não pode retornar com as mesmas regras?”.

Confira outros trechos:

“O governo deve ter muitas situações mais delicadas que o futebol, mas não é por isso que o futebol ficará em silêncio, em espera até novo aviso, porque temos que continuar gerando idéias, ver o que vai acontecer, como vamos ser inseridos, e ninguém me ligou, nem o médico, os treinadores físicos são reunindo-se para dar sua opinião e debate, os treinadores que temos que neste momento são os menos importantes no avivamento. Porque se não temos uma data de retorno e o que falamos sobre ativar jogadores de futebol para começar a regenerar sua atividade física, estamos falando de jogadores de futebol de elite, profissionais, não amadores ou amigos que praticam mergulho. Nossa indústria do futebol entrará em um processo de desvalorização total “.

“Através dos jogadores de futebol argentinos com quem tenho um relacionamento, que me ligaram, estamos todos juntos, desejando poder retornar de pouco a pouco, conhecendo a importância dos cuidados. Não desejo sair para quebrar uma quarentena, comer uma refeição com os amigos, não tenho desejo. Gostaria de poder fazer o meu trabalho ativando os protocolos necessários”.

“Não estamos mais no mesmo nível de igualdade. Os jogadores desejam treinar, perguntam o tempo todo quando poderemos começar a treinar. É um risco muito grande que eles corram porque os jogadores de futebol trabalham com seu físico. E eles também estão em um ótimo nível de exposição. Se você está sem treinamento por tanto tempo e você tem que voltar a competir, está exposto. Aqui são medidos pelo desempenho.. Alguém está avaliando como esses jogadores vão retornar? Em que situação contratual eles estarão? Em uma Argentina cada vez mais desvalorizada, você deseja continuar lá?”.

(Foto: Alexandre Vidal)

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