Advogado da família de Bernardo Pisetta considera valores dignos, mas diz que o Flamengo foi frio

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O Flamengo fechou na noite dessa segunda-feira (8) um acordo com a família do jovem goleiro Bernardo Pisetta, 14 anos, uma das vítimas do trágico incêndio no Ninho do Urubu, que ceifou a vida de dez adolescentes no dia 8 de fevereiro do ano passado.

É a quarta família e meia que fecha acordo com o clube, tendo em vista que o pai de Rykelmo aceitou e a mãe não. Restam, portando, cinco famílias e meia.

Em entrevista ao jornalista Comes Rímoli, o advogado Thiago Camargo d’Ivanenko não revelou valores, tendo em vista a confidencialidade do acordo. Contudo, revelou que, em relação à questão financeira, a família considerou um valor digno:

– Não há como voltar atrás e evitar o que aconteceu. Uma vida não tem preço. O Flamengo poderia oferecer todo o dinheiro do mundo em troca da vida do Bernardo que a família não aceitaria. Todos queriam o menino vivo. Mas infelizmente aconteceu o pior. E ele não vai voltar. Quanto aos valores, a família decidiu aceitar o que considerou digno e acabar com essa parte do sofrimento, destacou.

Contudo, o advogado classificou a postura do Flamengo como fria:

– A postura do Flamengo diante das mortes é fria. Sem dúvida alguma, bem fria. Mas legítima. Até porque não pode reverter o que aconteceu. A postura envolve patrimônio do clube. A diretoria está defendendo seus interesses. Mas houve pequenos incidentes (como proibir a entrada de parentes dos meninos mortos na concentração, para rezar, quando o incêndio completou um ano), que afetaram a imagem do clube, da diretoria, disse.

Disse ainda que a família quer seguir em frente, apesar de toda a tristeza:

– Com o sentimento que tem de seguir em frente, apesar de toda a tristeza. O pai de Bernardo, Darlei é uma pessoa muito esclarecida, consciente. E que me disse. “Quando um filho perde o pai ou a mãe se transforma em órfão. Quando o pai e a mãe perdem um filho não existe palavra no dicionário para defini-los. Tamanha é dor, afirmou.

E concluiu que a família acompanhará o desenrolar na justiça para conhecer os culpados:

– As mortes precisam ser responsabilizadas. E as famílias confiam no poder público para punir quem errou nesta tragédia. Haverá sim o acompanhamento de perto. As indenizações são uma pequena parte do processo. Todos querem entender o motivo dessa tragédia. Para que não se repita…

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