Carioca 2020: Flamengo 3 x 0 Botafogo

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(Foto: Alexandre Vidal, Marcelo Cortes & Paula Reis)

No patamar que está jogando o Flamengo, o que mais vai surgir por aí é a análise equivocada de que o adversário “dominou” o jogo porque anulou a equipe de Jorge Jesus.

Impedir que o Flamengo jogue é diferente de se fazer um bom jogo. Além disso, é preciso entender o nível de intensidade do próprio Rubro-Negro que, por vezes, flerta com a baixa rotação dentro dos 90 minutos. A equipe está conseguindo fazer essa dosagem.

Na vitória por 3 x 0 do time de Jorge Jesus no sábado contra o Botafogo, ficou evidente a forte marcação alvinegra, especialmente porque a arma era Michael, que foi bloqueado pelo Marcelo Benevenuto, zagueiro que virou marcador de lateral. Além disso, era um Flamengo sem inspiração, através do seu único meia, Éverton Ribeiro, somada à falta de movimentação dos homens da frente, Gabigol e Bruno Henrique. Teve méritos do Botafogo, mas ficou perceptível um Rubro-Negro menos interessado.

O Flamengo voltou diferente na volta do intervalo, tendo a mesma equipe em campo. Éverton Ribeiro passou a ser o protagonista, colocou a bola em baixo do braço e desmoronou a barreira alvinegra. Antes mesmo de abrir o placar, o time da Gávea já chegava com perigo e, aos poucos, se percebia um Botafogo sem as mesmas convicções do primeiro tempo.

A equipe do Flamengo nunca soube trabalhar na base da individualidade de forma isolada. Sempre precisou de um conjunto que funcionasse para que o talento individual despontasse. Na boa construção da jogada, que fez Michael sobrar dentro da área no mano a mano com Benevenuto, a bola restou livre para Éverton Ribeiro empurrar para o gol e fazer 1 x 0.

Os adversários sabem que precisam fazer um jogo 100% perfeito para, pelo menos, sair com o empate. Enquanto segura o o zero a zero, mantém a confiança, mas quando o placar é inaugurado, aí derretem de vez. E o Rubro-Negro não perdoa.

Foi o que Jorge Jesus destacou na coletiva: “A equipe do Flamengo, quanto mais passa o jogo, face a intensidade da primeira parte, os adversários não conseguem ter tanto raciocínio posicional. Nossa intensidade é tão alta que nossos adversários podem nos parar por 45 min, 60, 70, 80, mas uma hora teremos uma oportunidade”.

Bastou 45 minutos de um Flamengo mais envolvente e com mais mobilidade, para despontar a individualidade que quebra a mais ferrenha defesa adversária: seja do talentoso meia, seja do talentoso ponta. O segundo e o terceiro gols vieram e, por pouco, o quarto gol não veio. Isso tudo, lembrando, com cinco desfalques em campo, de um time que transforma uma vitória em um clássico em objeto de extrema tranquilidade.

A vinda de Michael foi bastante questionada, pois teoricamente não seria útil ao Flamengo, que costuma enfrentar fortes defesas, logo não teria espaço para fazer seu jogo peculiar. É mais um paradigma que o clube quebra. Michael não é só velocidade, mas dribles rápidos em curto espaço. Além disso, na movimentação atípica no terceiro gol, apresentou uma nova caraterística, recebendo linda assistência de Gabigol por trás da defesa adversária e sem entrar em impedimento. Pura inteligência! Já é trabalho disciplinador de Jorge Jesus.

Resta ao adversário comemoração por perder de pouco ou por demorar a levar gol. Também teve comemoração de pênalti perdido, de que finalizou na trave. Qualquer migalha que o Flamengo oferece aos adversários é uma comoção. É o que restou para eles.

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