Reforço para as finanças, Rodrigo Tostes poderá ser útil para o Flamengo na condução das questões do incêndio no Ninho do Urubu

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O novo vice-presidente de finanças do Flamengo, Rodrigo Tostes, que retorna ao cargo após cinco anos, já foi COO do Comitê Rio-2016 e CEO do VLT Carioca. Nestas funções, teve que lidar com duas grandes crises.

Nos Jogos, a Austrália criticou publicamente a infraestrutura da Vila Olímpica, e disse que nenhum atleta do país entraria no local. Outras Delegações chegaram a pagar, por conta própria, serviços de limpeza e acabamento. No VLT, precisou lidar com um atropelamento de uma criança.

Nesse sentido, além de voltar a gerir as contas do clube, Tostes poderá ser bastante útil, caso permitam, na condução e no trato das questões relativas ao incêndio no Ninho do Urubu, que ceifou a vida de dez crianças.

Fica evidente a falta de cuidado e zelo do Flamengo na condução desse caso. Qualquer instituição que sofresse um nível de tragédia dessa magnitude contrataria uma empresa de gerenciamento de crise para solucionar o impasse e criar mecanismos de redução de danos na imagem. Além disso, não há qualquer cuidado por parte do clube, especialmente do presidente Landim, com as famílias que perderam seus filhos. E não diz respeito apenas a questões financeiras, mas na atenção, carinho e consideração com quem confiou seus bens mais preciosos ao maior clube do Brasil. O que aconteceu na última sexta e sábado foi um troço assustador, tamanha frieza.

Em agosto do ano passado, Tostes, ao site da Stanford Graduate School of Business, onde estudou, explicou como lidou com essas situações.

Confira trecho:

“A empresa que construiu a vila parou de pagar seus trabalhadores, e nossa equipe que deveria verificar não havia realizada a avaliação adequada. 80% dos quartos dos atletas tiveram problemas e metade teve problemas graves. Doze dias antes do início dos Jogos, a Austrália tornou-se pública e se recusou a transferir seus atletas para a vila. Quase tivemos que cancelar tudo. Foi uma das maiores crises já ocorridas nos Jogos Olímpicos. (…) Tivemos que encontrar hotéis e outras casas, o que foi difícil porque a cidade estava cheia. Tínhamos treinado para outras crises, não para aquela. O treinamento é muito importante, mas aprendi que ter um sistema e as pessoas certas é crucial”.

Em seguida, foi convidado para ser CEO da VLT Carioca. O pior momento se deu após uma criança ser atropelada por um BRT, quando o sistema estava sendo implementado:

“A maior lição desse acidente foi que educamos o público sobre o quanto trabalhávamos para tornar o sistema seguro e confiável. Nossa empresa tinha credibilidade quando o acidente aconteceu. Ninguém nos bateu demais porque sabia o quanto estávamos trabalhando para evitar esse tipo de coisa. Lidar com a mídia é fundamental em situações como essa”.

Tostes argumentou que a transparência foi a maneira que encontrou para sair dessas duas situações:

“Seu trabalho é assumir a responsabilidade se você cometer um erro. As empresas são avaliadas pela forma como respondem a uma crise, não pela própria crise. Ser transparente, dizer a verdade e explicar o que você fará para resolver o problema cria a confiança necessária para avançar a partir da situação crítica. Desculpas não funcionam na maioria das vezes. Ser transparente é a maneira mais eficiente de sair do outro lado do túnel. Seu trabalho é assumir a responsabilidade se você cometer um erro. As empresas geralmente são avaliadas pela forma como respondem a uma crise, não pela própria crise”.

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One thought on “Reforço para as finanças, Rodrigo Tostes poderá ser útil para o Flamengo na condução das questões do incêndio no Ninho do Urubu

  1. Pois é.

    Infelizmente passou-se um ano inteirinho com uma condução abaixo do lamentável sobre o assunto.

    Agora tem que correr atrás do prejuízo. Tem que se formar um comitê de crise (tardio) e colocar pessoas novas pra mexer no assunto. Pessoas como o Landim não tem mais a menor condição de tratarem o assunto, estão completamente desgastadas e tudo que fizerem será visto com desconfiança e falsidade. Coloquem o Mauricio Gomes de Mattos (VP de Embaixadas) que é um cara muito humano, verifiquem outras pessoas que podem formar esse comitê e que tem experiência, como o Tostes.

    Com novas caras mexendo na questão, podemos mudar ou ao menos reduzir os danos à imagem do clube.

    São duas frentes:

    A primeira, que deve mudar o modo como as famílias estão sendo tratadas. Precisamos de novas caras que dêem um tratamento humano à questão

    E a segunda: precisamos flexibilizar mais nas negociações. Concordo que tem advogados que estão crescendo o olho, mas as declarações das últimas semanas deixaram claras que o Flamengo está fechado DEMAIS nas negociações e sem qualquer flexibilidade (o pai do Bernardo falou que já aceitou o valor que o Fla tinha oferecido inicialmente, mas que o Fla não oferece mais esse valor). Não vamos acertar com a mãe do Rykelmo? Provavelmente não. Mas com mais 3 famílias é plenamente possível e com as outras 3 mais fechadas, se mudar o comportamento, mudar o tratamento, podemos chegar mais perto. Esquece teto. Não ta faltando dinheiro, então não custa pagar um pouco mais pra encerrar boa parte dessa questão que fere demais a imagem do clube.

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