Ninho da Nação

Copa Libertadores 2019: Flamengo 2 x 1 River Plate – MENGÃO BICAMPEÃO

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Sempre ouvi que não há jogo ganho ou resolvido em Libertadores. O Flamengo sempre sofreu com essa praga, parecia uma maldição.

Não havia eliminação “normal”. Era sempre da pior espécie, a mais sofrida, a mais dramática, sofrendo gol nos minutos finais. Sempre foi motivo de chacota.

Dessa vez o jogo virou. Foi a vez do super campeão River, de três finais em quatro anos, provar desse veneno. E foi o Flamengo o algoz de uma das viradas mais épicas em uma final.

Revendo o jogo com calma, mas ainda com o coração acelerado, fica evidente que o River Plate não fez uma grande partida. Buscou muito mais anular o time de Jorge Jesus do que fazer seu jogo. Forçou erros demais do Flamengo, além de cometer 27 faltas. Forçou claramente o jogo físico. Foram 15 desarmes no primeiro tempo e nove no segundo – total de 24 contra apenas nove do Rubro-Negro.

O Flamengo, que sempre subia a linha pra recuperar rapidamente a bola, ainda no campo do adversário, não conseguiu exercer essa pressão. Não houve, pelo que lembre, nenhuma roubada na saída de bola argentina para encurtar a chegada ao gol de Armani.

Mas tudo tem limite. Por 70 minutos conseguiram anular as jogadas ofensivas. Aos poucos a pressão na marcação foi ficando enfraquecida. A bola do Flamengo já saia com mais facilidade. E a entrada do Prato foi decisiva: além de matar contra-ataques com chutes inúteis, perdia com mais facilidade a bola. Sem contar a inexplicável saída de Enzo Pérez, um gigante em campo.

Pelo outro lado, a entrada do Diego parecia roteiro de filme. Ele que sofreu uma entrada dura e criminosa na fase de grupos da Libertadores, com previsão de retorno somente no ano que vem, conseguiu se recuperar a tempo de fazer história. Mais um mérito do departamento médico da Gávea. E substituindo Gérson, um dos jogadores mais importantes desse meio de campo. Diego desarmou como nunca, conseguiu destravar algumas saídas de bola e foi o responsável  pelo lançamento no gol da virada. O camisa 10, que ficou marcado por perdas de pênaltis no jogo contra o Palmeiras e na final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, além de ser uma espécie de símbolo dos fracassos recentes, mudou a vida do Flamengo em 20 minutos.

Foi uma sensação muito maluca você estar perdendo por 1 x 0, vendo o título tão sonhado escapar e, em três minutos, vira o jogo. O Flamengo sai de uma derrota após sofrer um gol bobo para um título da Libertadores em tão pouco tempo. Foi um surto coletivo com requintes de crueldade.

Parece tudo um sonho. Essa conquista inédita de ganhar o Brasileiro e Libertadores no mesmo ano (Santos o cacete – quatro joguinhos ali, semifinal miúda aqui) ainda será digerida por muitas décadas.

Dos onze titulares, oito foram reforços que chegaram esse ano: quatro no primeiro semestre e quatro no segundo. O próprio treinador chegou na metade do ano. O Flamengo ainda não tocou no teto. E ganhou de uma equipe com um trabalho de quatro anos do Marcelo Gallardo e três anos de Renato Gaúcho.

No começo do ano o clube claramente buscou imitar o Palmeiras, com um treinador estilo paizão, além da ideia de montar dois elencos. No meio do ano, tratou de buscar sua identidade própria, com um treinador que não chegou sozinho, mas com uma equipe de seis na comissão técnica, oito contratações certeiras e o fim da história de que ser campeão brasileiro seria obrigatória a utilização de dois times. A filosofia foi: entra em campo quem estiver melhor.

Ano que vem é buscar o tricampeonato no Maracanã.

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