Mansur: “Flamengo aposta na pressão ofensiva para chegar à final da Libertadores”

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Confira a reportagem de Carlos Eduardo Mansur, em O Globo, dessa quarta-feira:

“Desde 2013, quando o clube iniciou sua reestruturação, os rubro-negros sonham com dias como este. Houve anos que pareceram uma travessia no deserto, até os reforços de peso restaurarem a sensação de um Flamengo pujante. Mas faltam as taças. Toda esta espera, todos os 38 anos de sonho com a volta uma final de Libertadores, tudo estará em jogo às 21h30m, no Maracanã, quando Flamengo e Grêmio jogarem a segunda parte da semifinal iniciada no 1 a 1 de Porto Alegre.

O Grêmio de Renato Gaúcho tentará se adaptar após ser dominado no Sul. O Flamengo de Jorge Jesus, joguem ou não Rafinha e ARrascaeta, já se sabe como jogará. O apetite ofensivo deste time tem como marca a pressão no campo ofensivo, uma asfixia nos rivais.

Certa vez, Jurgen Klopp disse que o “melhor camisa 10 do mundo era a pressão no campo ofensivo”, pois uma recuperação de bola a poucos metros do gol permitia atacar uma defesa desordenada. E dos 50 gols marcados pelo Flamengo desde que Jorge Jesus assumiu, dez têm ligação direta com este recurso: nasceram de desarmes no campo rival ou de uma pressão que obrigou o oponente a se livrar da bola. Por exemplo, a interceptação que Bruno Henrique fez na área do Athletico-PR, em Curitiba; ou o gol que abriu o placar no último Fla-Flu, quando Rodinei sufocou Frazan até o tricolor entregar a bola a Gabigol. Daí surgiu o córner e o gol de Bruno Henrique.

Houve ainda um 11º gol resultante de recuperação de posse de bola no campo de ataque. Foi o gol de Reinier contra o Avaí, mas este surgiu de uma rebatida errada da defesa catarinense.

É notável o papel dos homens de frente nas recuperações de bola: Bruno Henrique, Éverton Ribeiro e Vitinho somam desarmes no ataque. A intensidade, marca deste Flamengo, fez o time marcar pelo menos 14 gols no que se chama de “transições”: ou seja, após a recuperação de bola, no ataque ou no campo de defesa, o time parte rapidamente para o ataque e enfrenta a defesa rival desorganizada, correndo para trás. Um exemplo, o gol de Gabigol contra o Santos.

 

No entanto, é um equívoco dizer que o Flamengo é dependente destas transições. Houve ao menos outros 14 gols em que o time, diante de uma defesa fechada e posicionada atrás, trocou passes pacientemente a bola até a finalização. O Flamengo é o terceiro time que mais troca passes no Campeonato Brasileiro e é dos poucos que não se complicam diante de uma defesa fechada.

Não é fácil marcar este Flamengo. E o Grêmio precisa ir além: precisa de ao menos um gol. Como irá lidar com um time que pressiona a saída de bola, justamente onde o Grêmio, time de troca de passes e posse de bola, inicia suas jogadas?

Uma alternativa é apostar em seu modelo. Para tanto, a entrada de Léo Moura na lateral e a volta de Maicon, ainda que fora da forma ideal, podem melhorar o primeiro passe. A ideia seria superar com passes rápidos a primeira pressão, abrindo campo para acionar os homens de velocidade. EmPorto Alegre, o Grêmio não conseguiu.

Tentar duelar com o Flamengo pela posse de bola pode ser desfavorável aos gaúchos. E as notícias de que Michel, meio-campista com característica mais defensiva, pode substituir os lesionados Luan e Jean Pyerre, pode indicar uma alteração de modelo. Poderia surgir um Grêmio disposto a aceitar ter menos a bola e a acionar rapidamente os homens de frente, apostando na velocidade do contra-golpe contra a linha defensiva adiantada do Flamengo. Para evitar a pressão ofensiva rubro-negra, uma hipótese é “saltá-la”, ou seja, jogar com bolas mais longas para chegar ao setor ofensivo.

No Sul, a mobilidade do Flamengo desordenou a defesa gremista. Não há tempo para o Grêmio mudar sua forma de defender, com zagueiros perseguindo rivais que se movem, o que abre buracos. Mas a volta de Geromel representa que os gaúchos serão mais fortes no duelo.

Sejam quais forem as estratégias, há talento de sobra em campo para justificar a expectativa de um grande jogo”.

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