Ninho da Nação

Tostão: “Flamengo mostra que outro jeito de jogar futebol é possível no Brasil”

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Confira a ótima coluna de Tostão, nesse domingo, na Folha de SP:

“Times com marcação agressiva são mais vibrantes e inflamam o torcedor

Independentemente do desenho tático, uma importante estratégia cada vez mais frequente, embora seja ainda pouco usada, é a marcação agressiva sem fazer falta.

Ela ocorre em todo o campo, desde o goleiro. O time que marca mira quem está com a bola, para, rapidamente, recuperá-la. Para isso, é necessário treinamento, ter disciplina tática e ótimo preparo físico.

(…)

O Flamengo, além de tantas qualidades, tem dado show de eficiência na recuperação da bola.

O Santos, com Sampaoli, tenta fazer o mesmo. Os times que jogam dessa maneira são mais vibrantes e inflamam o torcedor, que apoia ainda mais a equipe. Cria-se um ciclo positivo de grande entusiasmo. O Flamengo, no Maracanã, é uma festa, um sonho para o torcedor. A vida é sonho. O restante são descuidos.

Milton Leite, no Redação SporTV, perguntou se um técnico brasileiro, com o ótimo elenco do Flamengo, faria o mesmo. Eu não sei. Acrescento outra pergunta, porque Jorge Jesus nunca dirigiu uma outra grande equipe europeia fora de Portugal, como vários treinadores portugueses?

Jorge Jesus, com sua sinceridade e vaidade, sem falsa modéstia, disse que ele não é um técnico que tem ideias europeias, e sim um treinador que tem ideias diferentes dos europeus.

A maioria dos times de todo o mundo, especialmente os pequenos, quando jogam contra os grandes, adota a marcação mais recuada, para fechar os espaços, com duas linhas de quatro, às vezes, uma de quatro e outra de cinco, para, depois, contra-atacar. Ficam longe do outro gol.

(…)

Essa marcação começou na Copa de 1966, com a Inglaterra. No Brasil, há mais de dez anos, o Corinthians, com Mano Menezes, seguido por Tite e, agora, por Carille, adotou essa postura, com sucesso, que se propagou para todos os outros treinadores brasileiros. Passou a ser uma marca de nosso futebol. Cansou. O torcedor e a imprensa querem outro futebol, ainda mais depois de ver o Flamengo.

Muitos técnicos brasileiros e europeus alternam os dois tipos de marcação, de acordo com o momento do jogo, como Tiago Nunes no Athletico. Porém o que predomina no Brasil é o medo de pressionar e de deixar grandes espaços na defesa. Preferem dar a bola ao adversário e recuar. Não gostam da bola”.

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