Ninho da Nação

PVC: “O Flamengo é, neste momento, uma homenagem ao futebol”

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Confira na íntegra a coluna do Paulo Vinicius Coelho na Folha de SP dessa segunda-feira:

É impossível ter assistido ao Flamengo jogar no Maracanã neste Brasileiro e julgar possível atraí-lo na marcação, para ganhar no contra-ataque. Luiz Felipe Scolari errou feio ao escalar três volantes. O time de Jorge Jesus é um caso único.

“Sempre entramos no Maracanã vencendo por 1 a 0”, disse o treinador, ainda antes da classificação na Libertadores.

Não se trata apenas da quantidade de torcedores, mas da acústica do estádio. O ex-maior do mundo é, neste campeonato, o melhor estádio do planeta. O mais carismático, na cidade mais bela, no país do futebol.

Quem achou que o Maracanã tinha morrido precisa visitar o Rio, enquanto este cenário persiste. Nem o Signal Iduna Park, em Dortmund, tem o mesmo clima.

Daí que Felipão errou ainda mais ao pensar em ganhar de contra-ataque e conviver com Éverton Ribeiro, Gérson e De Arrascaeta em seu campo por mais de 55% do tempo.

A primeira metade do clássico foi um massacre.

No passado, Felipão venceu contra times parecidos. Na semifinal da Libertadores de 2000, fez seu Palmeiras tirar velocidade do jogo contra o Corinthians. Era uma retranca com a bola no pé e o Morumbi tinha torcidas divididas, não contava com a pressão do Maracanã.

A qualidade do elenco do Corinthians, sim, era semelhante: Rincón, Vampeta, Ricardinho, Marcelinho, Edílson e Luizão. Parecido com De Arrascaeta, Gérson, Éverton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabriel, do Flamengo.

No domingo (1º), o Palmeiras não conseguia trocar quatro passes seguidos. O Flamengo não parava e seguia empurrado pelo ambiente, como virou praxe. A perspectiva de goleada se escancarava, antes do pênalti cobrado por Gabigol.

Em 2013, por influência de seu filho, Felipão acompanhou de perto a derrocada do Benfica de Jorge Jesus, que liderou o Campeonato Português inteiro e perdeu nas três últimas rodadas. Precisando de um empate na penúltima rodada, foi derrotado com gol de contra-ataque de Kelvin: Porto 2 x 1. Perdeu o título.

Nem a lembrança de que Jesus já perdeu atacando, quando podia administrar resultado, serve como desculpa para Felipão. O filósofo português Manuel Sérgio, fã confesso do treinador brasileiro, e mestre de Jorge Jesus e José Mourinho, costuma dizer que um grande treinador precisa ter leitura de jogo. “Alguém que só sabe de futebol, nem de futebol sabe”, explicava.

A aparência da partida de domingo foi a de que Scolari capturou detalhes do time, pensou em tirar velocidade do jogo, mas menosprezou tudo o que tem empurrado o Flamengo neste momento. A vitória por 3 x 0 ficou pequena diante da superioridade rubro-negra em campo.

A equipe de Jorge Jesus está jogando, hoje, o melhor futebol do país. Impressiona sobretudo pela movimentação do ataque, com Gabriel aparecendo ora na direita, ora na esquerda, assim como Bruno Henrique, que construiu pela direita a jogada do segundo gol. Mais ainda, Gérson, o melhor em campo, jogador múltiplo, volante e armador ao mesmo tempo.

Não significa que isso se repetirá daqui até o final do ano, não é garantia de que irá conquistar o Brasileiro e a Libertadores. Mas o Flamengo é, neste momento, uma homenagem ao futebol.

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