Ninho da Nação

Libertadores 2019 – Quartas de Finais: Internacional 1 x 1 Flamengo

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Sonho de uma geração: o Flamengo está nas semifinais da Copa Libertadores após mais de três décadas. Agora, faltam três jogos para o Rubro-Negro voltar a conquistar as Américas.

É impressionante que em tão pouco tempo Jorge Jesus entendeu claramente qual a vocação do clube da Gávea. A torcida Rubro-Negra nunca aceitou sofrer. Sempre cobrou jogar pra frente, dominando, amassando o adversário.

E foi exatamente o que o Flamengo fez no primeiro tempo, nessa quarta-feira, no Beira Rio. Mesmo com a vantagem do 2 x 0 em casa, tendo o gol qualificado a seu favor, a equipe de Jorge Jesus iniciou a partida como se estivesse no Maracanã, ou precisando do resultado. Esse é o sonho de todo torcedor Rubro-Negro. É dessa forma que esperam do Flamengo.

Pelo histórico recente da equipe na Copa Libertadores, com esse punhado de bons jogadores, qualquer outro treinador entraria segurando as linhas, fechando o meio de campo, aguardando que um dos seus talentos resolvessem em apenas uma bola. Jamais iria se arriscar a trabalhar a bola, a propor um jogo em pleno Beira Rio, após 2 x 0 em casa.

Jorge Jesus escalou a equipe no 4-2-3-1 com Cuéllar de volta à titularidade e Gérson de segundo volante, posição a qual foi contratada, mas que ainda não tinha atuado pelos bons jogos do William Arão.

Logo aos 46 segundos, o primeiro chute: Arrascaeta finalizou, para defesa de Lomba. Em seguida, Gabigol perdeu uma chance absurda que poderia ter encerrado o confronto aos dois minutos de jogo. Porém, nada que tirasse a concentração e foco de um Flamengo que subia a linha de marcação, preenchia o meio de campo e não era sequer ameaçado.

Odair Hellmann prometeu agressividade, aproveitando o embalo da torcida, que lotou o Beira Rio. Passou longe disso, pelo menos no primeiro tempo. Escalando o mesmo time que colocou em campo na primeira partida, o Inter temeu mais o gol qualificado do Flamengo do que tentar abrir o placar.

Mesmo tendo mais posse de bola que o Rubro-Negro no primeiro tempo (51 % x 49 %), os colorados só finalizaram um chute à gol contra cinco dos visitantes.

No segundo tempo, Odair fez exatamente as mesmas substituições que realizou no Maracanã. Logo aos três minutos entrou Nico Lopez no lugar de Sobis e depois Wellington Silva entrou no lugar de Uendel. O Flamengo passou a ter mais dificuldade na saída de bola, fazia muitas faltas e entregava ao Inter exatamente o que queriam: bola na área, porque, futebol mesmo, não tinha muita coisa a entregar. O Inter abriu o placar justamente nesse tipo de jogada aos 16 minutos. E onde o William Arão, desfalque por suspensão, se posiciona.

Qual seria a reação do Flamengo? Recuaria à espera do apito final? Com Jorge Jesus esse verbo não existe. Os Rubro-Negros colocaram a bola no chão para respirar.

Segundo o jornalista Leonardo Miranda, Rafinha e Filipe Luís deram mais de 100 passes e apenas oito foram para trás. É uma zaga que não apelou para o chutão: dos 94 passes que Pablo Mari e Rodrigo Caio deram, impressionantes 38 foram para o campo de ataque do Flamengo.

Os traumas de algumas eliminações nas edições passadas da Copa Libertadores chegaram a rondar a cabeça de alguns torcedores, no entanto, o time que entrou em campo tinha oito reforços que foram contratados na temporada e que não guardam nenhuma lembrança de derrotas traumáticas. E foram de uma inteligência e maturidade impressionantes.

Ainda faltavam pelo menos uns vinte minutos de jogo, com os acréscimos, Odair se desesperou em busca do segundo gol. Sarrafiore entrou no lugar do zagueiro Cuesta. Jesus deu o troco e escalou Berrío pra buscar o contra-ataque. Mas foi em rápida saída de Arrascaeta, que tocou no campo livre para Bruno Henrique se aproximar com suas passadas largas e deixar Gabigol livre para enterrar de vez o Internacional.

Durante os preparativos para o confronto, era unanimidade que o forte do Flamengo era o ataque, e que a defesa ainda carecia de acertos e era a grande arma para o Inter arrancar a classificação. Porém, não esperavam um sistema defensivo cada vez mais seguro, firme, anulando as principais ações dos seus adversários.

Guerrero foi colocado no bolso de Rodrigo Caio no Maracanã e Pablo Marí no Beira Rio. O atacante peruano não deu nenhum chute ao gol do Diego Alves.

Hoje o Flamengo não é um punhado de bons jogadores, são grandes talentos sim, jogadores decisivos sim, mas com um treinador que consegue potencializar o melhor de cada um.

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