Ninho da Nação

Libertadores 2019 – Quartas de Finais: Flamengo 2 x 0 Internacional

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O Inter estava invicto na Copa Libertadores, sem sofrer gols há cinco partidas e veio para segurar o empate de forma categórica.

A tal “estratégia um pouco diferente” que seria preparada pelo Odair Hellmann não teve nenhuma grande surpresa. Pelo contrário: jogou exatamente como era esperado: três volantes, mais D’Alessandro e Rafael Sobis recuando para embolar o meio de campo, deixando Guerrero completamente isolado no ataque, que acabou sendo engolido pelo Rafinha e Rodrigo Caio.

Eis o esquema do Inter:

Mas do outro lado havia uma equipe com uma postura cada vez mais madura. Com um estilo bem diferente do que era o próprio Flamengo no começo de Jorge Jesus. Não se afobou, não foi ansioso, não quis ir pro abafa por ver um Maracanã mais uma vez lotado. Talvez era essa a expectativa do Inter, para buscar o contra-ataque.

Jorge Jesus só está há dois meses na Gávea (11 jogos), mas parece que já se passaram dois anos, tamanho o crescimento tático e individual de vários jogadores.

Após praticamente ser vetado, Gabigol entrou em campo no sacrifício. O treinador também apostou em Arrascaeta e Éverton Ribeiro para tentar vencer na bola e do passe qualificado, diante de um adversário claramente abusando da força física, da catimba e das faltas.

Entretanto, o uruguaio, que não passou bem na noite anterior, não conseguiu ser o meia esperado dentro de campo. Gabigol se movimentava muito, até voltando ao meio de campo para participar das criações ofensivas. As jogadas do Rubro Negro fluíam mais pela direita, deixando a esquerda com Filipe Luís e Arrascaeta completamente esquecidos.

A marcação do Inter funcionava, não permitia o Flamengo chegar na grande área. As únicas jogadas de perigo aconteceram com chutes de longa distância. Faltavam os laterais avançarem mais para destravar o meio de campo.

Na única escapada pela esquerda, Filipe Luís encontrou Éverton Ribeiro na entrada da grande área, que tocou para Gabigol que quase marcou.

SEGUNDO TEMPO

Na volta do segundo tempo, Gérson entrou no lugar de Arrascaeta, na esquerda. Por mais que o time tenha aumentado o volume e a presença perto do gol colorado, a marcação do Inter se mantinha intacta, firme, parecia que um empate sem gols seria completamente factível.

Até que Jorge Jesus, como tem sido praxe em sua rotação durante a partida, inverteu os meias: Gérson foi pra direita e Éverton Ribeiro pra esquerda. E ganhou a companhia de Filipe Luís, jogando quase como um segundo volante, aumentando a superioridade numérica no meio de campo, pois o Inter colocou dois atacantes (Nico López e Wellington Silva) nos lugares de dois jogadores (D’Alessandro e Rafael Sobis) que ajudavam no combate e fortalecimento do meio de campo.

Segue o mapa de calor do Filipe Luís, que fez 8 desarmes e ganhou 13 de 14 duelos.


Quando o Inter tentou sair pro jogo, levou o golpe. A paciência, experiência e maturidade do Flamengo foram premiadas.

16 dos 23 gols do Rubro Negro, sob o comando de Jorge Jesus, aconteceram no segundo tempo. O que é até curioso, porque, por algum tempo, o time da Gávea foi rotulado de perder o fôlego nos 45 minutos finais.

E foi justamente em uma recuperação de bola de Filipe Luís após saída errada do volante Edenílson, que a superioridade numérica ficou ainda mais acentuada.

No passe vertical do lateral esquerdo, aquele que quebra a linha, que acelera a saída de bola, onde, em qualquer outra situação, deveria passar por pelo menos três jogadores, encontrou Éverton Ribeiro que viu Bruno Henrique entrar no facão e, após ser pressionado, a bola sobrou pra Gérson, que não foi fominha e tocou de volta para o selecionável Rubro Negro abrir o placar.

O tão incensado sistema defensivo do Inter desmoronou. Ao contrário de outros times, o Flamengo não ficou satisfeito com o placar mínimo. Foi pra cima e, em menos de três minutos, marcou o segundo. Novamente pelos pés de Filipe Luís, que tocou verticalmente para Gabigol, que serviu Bruno Henrique fazer o segundo gol.

E por pouco não fez o terceiro. Novamente Bruno Henrique fez linda jogada pela esquerda, após receber passes espetacular de Gérson, mas Gabigol furou. O que foi compensado com o gol perdido de Nico López, após a única falha da zaga Rubro Negra, de Pablo Marí.

É o segundo jogo que o Flamengo não leva gol sob o comando de Jorge Jesus. Justamente nas duas partidas da Copa Libertadores: Emelec e Internacional.

No Maracanã, o Flamengo parece ter aprendido a jogar essa competição. Sem ansiedade e afobação, mas crescendo em maturidade, entendendo a cada jogo os ensinamentos do treinador.

Teve mais de 70% de posse de bola, mais do triplo de passes trocados que o Inter: 488 x 134.

É jogar com inteligência na partida de volta, diante de um adversário que vai precisar de sair pro jogo e dará muito espaço. Ontem foi um breve prelúdio: quando Odair Hellmann resolveu lançar dois atacantes, o Flamengo aproveitou-se do espaço, aliado com o talento individual do passe rápido e vertical e do espírito coletivo do Gérson, Gabigol e Éverton Ribeiro, que serviram quem está decidindo: Bruno Henrique.

Falta exatamente isso: uma boa atuação fora de casa com o treinador português. Não houve ainda nenhuma. Chegou a hora.

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