“A imprevisibilidade dos mata-matas e o que as Copas nos ensinam”. Por Carlos Eduardo Mansur

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Ótima coluna do jornalista Carlos Eduardo Mansur em O Globo dessa sexta-feira.

Confira trechos:

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Acabamos de ser introduzidos à era dos clubes cujo poder econômico se impõe no mercado, com a formação de elencos de nível inimaginável há uma década, por exemplo. O reflexo é a crença de que Flamengo e Palmeiras são obrigados a conquistar todas as taças em disputa.

Particularidades à parte do futebol brasileiro, é mais razoável exigir que o poder econômico se manifeste em competições longas. A tese do troféu por obrigação é quase primária nos torneios de mata-mata.

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A derrota rubro-negra é outro exemplo do quanto mata-matas são um território do imponderável: a quantidade de problemas médicos que o Flamengo levou a Guayaquil, a perda de Diego, o chute de Caicedo que desviou em Renê ou o chute do próprio Renê que acertou o pé da trave. Ninguém pretende eliminar a paixão do jogo ou fabricar uma legião de torcedores anestesiados, mas a crescente intolerância a derrotas tem gerado reações absolutamente divorciadas do mundo real.

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Ocorre que a ainda curta experiência de Jesus no país é tão rica em episódios tipicamente brasileiros que permite, até, que os técnicos daqui tirem proveito. Primeiro, Jesus teve pouco tempo para preparar o Flamengo. Ao achar uma formação, sofreu com desfalques. Precisou procurar um plano B antes de consolidar o plano A, mas logo percebeu que, iniciada a temporada brasileira, quase não há tempo para trabalho no campo de treino. Em seguida, viu a sequência dura de jogos do calendário nacional cobrar um preço: o time perdeu vigor ao pressionar os adversários, algo vital em seu modelo de jogo. Enquanto isso, viu reforços chegarem com torneios em andamento e até já experimentou a pressão insana em aeroportos e hotéis.

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