terça-feira, 2 de junho de 2015

A temporada de José Neto: o melhor treinador do Brasil outra vez


Na temporada passada muitos não quiseram reconhecer José Neto como o melhor treinador porque argumentaram que ele "tinha em mãos uma equipe forte".

Como se a equipe jogasse por si só. Que bastaria um time recheado de grandes jogadores que o resultado seria automático. Como se ter bons atletas tirassem os méritos do Neto.

Eduardo Agra, comentarista da ESPN, foi certeiro, à época, quando elegeu o treinador Rubro Negro o melhor do campeonato: "Fazer um time de estrelas jogar como equipe, com doação, com coletivismo, acho mais difícil do que fazer um time médio".

Essa temporada é a prova cabal de que não basta montar uma seleção que se conquistará todos os campeonatos. Guerrinha, técnico do Bauru, teve em mãos um dos melhores elencos dos últimos anos, aclamado por todos, porém precisou de cinco jogos nas quartas e semifinais e foi varrido na final pelo Flamengo.

José Neto teve fases turbulentas e os questionamentos vieram, alguns justos. A demora por vezes em pedir tempo, parar o jogo e impedir a reação do adversário é um dos seus grandes problemas. Ter mantido Herrmann e Marcelinho de titulares nos custou seis derrotas no primeiro turno do NBB e atuações sofríveis. Ter usado pouco o Felício quando Meyinsse não vinha bem é outro ponto.

Mas vejo alguns pontos positivos, como o enfrentamento ao Marcelinho Machado e ter tido o aval da diretoria. Foi a partir dessa punição que o Flamengo voltou aos trilhos e conseguiu cinco vitórias seguidas, sendo três dessas disputadas em São Paulo e sem o experiente jogador: Franca, Pinheiros e Palmeiras.

E fez Benite crescer ofensivamente, conseguindo média de incríveis 19,2 pontos nessas cinco partidas e, com Olivinha de titular, viu um Flamengo marcando mais e fazendo boas marcas defensivas, sofrendo média de 64,2 pontos, inferiores aos 80,1 pontos por jogo.

Na 11ª vitória consecutiva novas mostras de um José Neto com sangue nos olhos e querendo sacudir a equipe. Contra o Rio Claro e já com o terceiro lugar garantido o treinador fez a torcida no Tijuca silenciar incredulamente os cantos tamanho a surpresa, e depois aplaudir, pela bronca dada: Neto ficou irritado e indignado com a postura do time defensivamente e parecia querer sacudir um a um.

Nas 22 últimas partidas deste NBB (12 pelo segundo turno e 10 pelos playoffs), o Flamengo venceu 20, perdendo apenas as duas para São José nas quartas de final.

Justamente nessas duas partidas, o time voltou a demonstrar um basquete irregular. Entretanto a equipe se uniu antes do quinto jogo das quartas de final contra São José, lavou roupa suja e conseguiu uma vitória espetacular: 98 x 64.

Com Olivinha e Benite de titulares o Flamengo marcou demais na semifinal e final. Basta lembrar os quase seis minutos que deixou Limeira sem pontuar no quarto final da primeira partida da semifinal e depois ter limitado o forte ataque do Bauru a menos de 70 pontos nas duas partidas finais. Foi o grande diferencial do Flamengo nesse playoffs.

Na temporada passada esse blog escolheu José Neto como o melhor do Brasil. Pelo metade final da temporada, pelas grandes atuações contra duas grandes equipes na fase decisiva, pela postura de sacudir o time após uma dura eliminação em casa pela Liga das Américas, o blog repete a premiação ao treinador Rubro Negro como o melhor do NBB.

8 comentários:

bcb disse...

Neto é junto com o Paco o melhor treinador do NBB. A queda do time não passou por ele mas por um tempo para encontrar as funções dos jogadores após a vinda do Hermann e sem nenhuma lesão como nos anos anteriores. Isso e a diminuição de intensidade natural dos jogadores após a temporada perfeita de 2014. Neto é muito bom.

Joanilson Silva disse...

Olha quando o Neto chegou, não tinha grandes expectativas, achava q poderia ser um tecnico mediano, mas depois q ele fez o time virar um jogo q perdia de 20 ou 30 pelo SulAmericano fora de casa somente com bola de 2 e com uma marcação fora do comum, ali vi um grande tecnico, ter conquistado varios titiulos so confirmou o trabalho, mas mostrar ser um grande tecnico pra mim foi naquele jogo.

Allan Fechine disse...

Fujindo um pouco da questão do José Neto, que é com certeza o melhor treinador brasileiro, de basquete, em atividade atualmente. Não seria o momento do marketing do Flamengo, em conjunto com a Adidas, tentar alavancar a venda de camisa do basquete? Andei fazendo uma busca e, nem na loja oficial do Flamengo, nem em lojas especializadas pude encontrar o manto sagrado do orgulho da nação, Encontrei na apenas no site da Adidas, sem nenhum destaque, tendo que listar todas as camisas referentes ao Flamengo. O time acabou de se sagrar TRI-CAMPEÃO do NBB, não eh pouca coisa, o nosso marketing tem que aprender a capitalizar melhor em cima de nossos momentos de glória! Quando ganhamos o Mundial, nem sequer havia camisa disponível para venda! É notório que existe um trabalho muito bom sendo realizado no Flamengo, mas peca-se muito nesses pequenos detalhes...

Allan Fechine disse...

E pra quem se interessar, segue o link do nosso manto: http://www.adidas.com.br/regata-basquete-flamengo/S07273.html?pr=product_rr

José Carlos disse...

Concordo plenamente com o Allan. Aliás sinto falta de produtos relacionados ao basquete. Só existem a camisa e os calções de jogo apenas. Quando olhamos os clubes da NBA com diversos produtos como jaquetas de aquecimento, casuais, uniformes alternativos, bonés e outros acessórios mais percebemos o quanto ainda somos amadores nesse aspecto. Até o Bauru lançou camisas alternativas na Liga das Américas e na Liga Sulamericana. O clube poderia lançar um uniforme número 3, semelhante aqueles dos anos 90 da NBA, onde o logotipo e o mascote do time vinham em destaque, e outros produtos relacionados ao esporte. Quanto ao Neto, não precisa de comentários, o cara é o melhor técnico brasileiro atualmente, disparado. E com certeza será o técnico que fará com que a seleção Brasileira volte a ser uma das potências no basquete.

André Amaral disse...

Excelente, Allan.

Já passou da hora do basquete ter uma loja própria, com produtos específicos. O basquete tem um público ávido a consumir seus produtos e tem crescido a cada temporada.

Sinto falta de uma camisa própria, os cards que tanto fizeram sucesso anos atrás, um dvd com os melhores momentos. Enfim..a torcida quer consumir.

Lucas Dantas disse...

Texto cirúrgico, André. Parabéns.

Quanto ao público ávido por consumir os produtos, costumo dizer que não só os produtos mas o basquete em si. Queremos consumir mais basquete. Queremos vídeos exclusivos, reportagens interessantes e é claro, produtos relacionados.

André Amaral disse...

Perfeito Lucas!