sábado, 19 de julho de 2014

"Bom Senso Futebol Clube" tem como objetivo pegar a CBF e, para isso, coloca a faca no pescoço dos clubes

Agora está claro: o "Bom Senso Futebol Clube" está pouco interessado com a situação financeira dos clubes. Seu grande objetivo é democratizar a CBF, ampliar seu colégio eleitoral, nem que para isso custe a falência daqueles.

Em artigo na Folha de São Paulo desta sexta-feira, o jogador Paulo André, um dos líderes do movimento, revelou que pediu à presidente Dilma para não aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte como está proposta:

"Nas últimas semanas, antes da derrota brasileira, os grandes clubes de futebol fizeram lobby por uma audiência com a presidente Dilma para pedir que o projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE) seja aprovado com urgência. 
(...) 
O Bom Senso se antecipou e, no encontro anterior com a presidente, em maio, fez um apelo: "Não aprove a LRFE do jeito que está. É preciso aproveitar a oportunidade e exigir dos clubes, em contrapartida pelo parcelamento da dívida (dinheiro público), a regulação e a democratização do estatuto da CBF, limitando o mandato dos dirigentes a quatro anos com apenas uma recondução, dando voz e direito de voto aos atletas, treinadores, árbitros e demais clubes filiados à entidade. Essa diversidade permitirá abordar todas as dimensões e interesses do futebol brasileiro". 

É uma vistão distorcida e completamente míope. A aprovação da LRFE não encerra a discussão de democratizar a CBF, pelo contrário, força a profissionalização dos clubes, obriga-os a cumprir o pagamento mensal com o governo e ainda manter em dia os impostos correntes apresentado as Certidões Negativas de Débito, sendo até passível de rebaixamento o clube devedor de salário. Os dirigentes também não podem antecipar receitas que ultrapassem o limite do seu mandato, sendo responsáveis pessoalmente pelos prejuízos que causarem às instituições e têm seus mandatos limitados. Em suma, tornam os clubes independentes das Confederações e Federações, mais fortes e oxigenados financeiramente e administrativamente, e podem, portanto, cobrar destas que cumpram as mesmas regras rígidas e duras a que são obrigados. Ou formar sua Liga, independente da CBF.

Exatamente como disse Pedro Trengrouse, professor da FGV, em comissão sobre o assunto em Brasília:

"Nós vivemos hoje um momento de CBF rica e clubes pobres, de federações ricas e clubes pobres. No Rio de Janeiro, agora, no campeonato estadual, nos 120 jogos da primeira fase, os clubes tiveram um prejuízo acumulado de 500 mil reais, enquanto a federação arrecadou, nesses mesmos jogos em que os clubes tiveram prejuízo, 800 mil reais. Para a federação foi lucrativo, mas para os clubes não foi. 
Então, Deputado Otávio Leite, é preciso que todos estejam no mesmo barco. Se as certidões negativas de débito são importantes para a participação dos clubes nas competições e se a verificação dessas certidões deve se dar pelas federações e pela CBF, que estas sejam responsáveis solidariamente pelas dívidas que agora ajudam a controlar e ajudar a pagar. Mesmo porque, o dinheiro do futebol brasileiro hoje vem se concentrando nessas entidades e não nos clubes. E, se estamos todos no mesmo barco, que tenhamos todos a mesma responsabilidade. Eu quero ver se daqui para a frente nós vamos ter federação dizendo que o problema de gestão é só dos clubes, quando, na verdade, nós fazemos parte do mesmo sistema, e eles são tão responsáveis quanto os clubes. "

O tom da coluna de Paulo André demonizando os clubes é bem ruim. Ele simplesmente coloca a conta de todos os males causados pela CBF ao futebol nas costas dos clubes, que estão sendo literalmente chantageados: ou nós ajudam a pegar a CBF ou a Lei de Responsabilidade não será aprovada e vocês vão continuar com o pires na mão. Ficou feio.

Paulo André afirma ainda que "o projeto é frágil ao tentar garantir que os clubes estejam realmente em dia com suas obrigações fiscais e, principalmente, trabalhistas". Está equivocado. Os clubes precisam manter suas obrigações fiscais correntes em dia apresentado as Certidões Negativas; assim como precisam manter os salários em dia de atletas e funcionários. Onde está a fragilidade da lei?

Do projeto atual do deputado Otávio Leite, se aprovado nestes termos, já será um enorme avanço para o futebol brasileiro. O "Bom Senso" está dando um tiro no pé ficando do lado oposto daqueles que pagam altíssimos e cada vez mais valorizados salários. Que tal criar um teto salarial no futebol brasileiro, será que topam?

E o zagueiro encerra de forma patética sua coluna: "Os clubes, a CBF e a bancada da bola estão no ataque. Nosso time conta com você para virar esse jogo". Desculpe, Paulo André - que agora virou o paladino da referência e gestão administrativa, a torcida está com os clubes.

5 comentários:

Anônimo disse...

Concordo que o bom senso está se lixando para os clubes, porque eles não a baixar os salários astronômico que eles ganha,agora só depende dos dirigentes dos clubes se unir para aprovação da lei ,600 jogadores não vão ter mais força do os clubes unidos ,o bom senso está se aproveitando da arrogância do dirigentes ,e ano eleitoral os dirigentes têm aproveitar este ano , o bom senso já vão para segunda reunião com presidente e os clubes sem nem um reunião ,com querem reverter essa situação ,cadê às atitudes dos dirigentes só depende de vocês , vocês representa milhões de votos .

Outro assunto : O diretor do CEO do benfica está no rio e os dirigentes do flamengo da área de marketing não vão fazer estágio com ele , aprender como alavancar o programa sócio torcedor , o cruzeiro já tá fazendo isso sempre na nossa frente , ou os dirigentes são fracos ou não têm a humildade para aprender,torço que esteja errado.

João Duarte disse...

A coluna do Paulo André demonstra o autoritarismo implícito na cabeça de milhões de brasileiros. Querem derrubar barreiras, acelerar o processo e por isso aceitam passar por cima de princípios fundamentais a democracia.

A CBF é uma instituição privada cujos acionistas são os clubes. O que o Bom Senso deveria entender é que a forma de se mudar a CBF é fortalecer os clubes, fazendo com que estes, em concorrência entre si e entre clubes de fora, buscando se tornarem cada vez mais forte e entendendo que para isso é necessário um futebol cada vez mais forte, briguem pelas mudanças fundamentais à CBF. Querer passar por cima disso é de um autoritarismo atroz.

O Bom Senso prega muitas bandeiras importantes ao futebol brasileiro e, logo, aos clube, mas essa mudança desejada não pode vir por cima de preceitos fundamentais. Que a mudança seja lenta, gradual, e real.

Quanto a teto salarial, Deus me livre. Os salários tem que ser resultado do equilíbrio de oferta e demanda. Com os clubes se tornando responsáveis, o teto se dará naturalmente, como decorrência da capacidade financeira dos clubes. Não precisamos de leis ou acordos limitando a remuneração de quem quer que seja, até por que no resto do mundo isso não acontecerá e ai perderemos nossos melhores jogadores, mesmo tendo condições de banca-los.

PS: Valeu pela publicação do meu ultimo comentário André! Abraços!

André Amaral disse...

Claro que é ironia o teto salarial, João..hehe

Outro detalhe: todos os patrocínios da CBF são de empresas privadas, todos.

Anônimo disse...

Grande Andre, com todo o respeito, mas ao meu ver quem está distorcendo as coisas é voce, e nao o Paulo Andre. Estamos diante de uma oportunidade historica de abalar as estruturas do futebol brasileiro, e pra melhor. A necessidade dos clubes, que estao mesmo com o pires na mao, acabou se tornando uma oportunidade unica de conseguir o apoio dos proprios clubes e torcedores para uma modificacao radical na cbf e federacoes. Se a lei for aprovada da forma atual, perderemos a oportunidade de dar um basta nessas capitanias hereditarias do futebol. Ou voce ja se esqueceu das críticas que todos nós sempre fizemos ao calendario dos estaduais, às taxas e políticas mesquinhas da federacao carioca e etc..? Ao meu ver, estar ao lado dos clubes, neste momento, é estar ao lado de mudanças na própria cbf. Quanto ao fair play financeiro, nunca se propos teto salarial. O que se propoe é uma política semelhante ao futebol alemao. Ou seja, penalidades esportivas e administrativas aos clubes e diretorias na hipótese de atraso no pagamento dos compromissos financeiros. Pessoal, estamos falando de mudancas que, aliadas ao necessário alongamento da dívida dos clubes, poderão transformar o nosso futebol e o nosso flamengo. Se tivéssemos essas mudanças o nosso flamengo poderia sim sonhar rm se tornar uma potencia mundial no medio prazo. Estamos falando de geracao de empregos no futebol, manutencao dos craques aqui no país, ingressos mais acessíveis. Tudo isso é possível, basta ter gestao séria no nosso futebol. Nao deixem que a legítima vontade de ver a nossa dívida reestruturada de forma imediata acabe distorcendo nossa percepcao. É nisso que a cbf, bancada da bola e rede globo apostam. Para qje as coisas continuem como estao. Nao critiquem o Paulo Andre, ele está certo. E antes que questionem minha paixao pelo mengao, deixo bem claro que sou socio torcedor desde 26/04/13, mesmo morando em bh e so tendo a oportunidade de assistir ao flamengo na final da copa do Brasil. Saudacoes rubro negras e viva a democracia..Andre, continuo sendo um fã do blog, nao precisam me demonizar..rsrs.. Abs., Anderson

Ferreira disse...

Fico observando que muito se fala na LRFE (que a meu ver tem que ser aprovada), em movimento Bom Senso pra mudar o calendário e a estrutura da CBF porém o principal personagem dessa história não é citado. Pois eu o cito: E O TORCEDOR, COMO FICA NESSAS "MUDANÇAS"? Será que ainda seremos obrigados a assistir jogos as 22 horas e ter que chegar em casa de madrugada tudo pra não atrapalhar a novelinha? Será que ainda seremos obrigados a pagar ingressos caríssimos para assistir jogos em estadios sem o menor conforto?Sem conforto sim pois mesmo nos estádios feitos para a copa ainda existem problemas com alimentação, venda de ingressos, acesso ao estádio, etc... Será que ainda seremos feitos de trouxa ao assistir jogos que depois terão seus resultados modificados nos tribunais? Será que ainda sofreremos com o medo de levar nossas famílias aos estádios por conta de marginais travestidos de torcedores? Enfim, enquanto "Bom Senso", Globo e CBF brigam pelo poder de controlar o futebol brasileiro e por consequência o poder de controlar as polpudas verbas de patrocinadores, o torcedor permanece sofrendo e sendo tratado como gado ao acompanhar seu time. Tudo isso se reflete em campo. Aquele 7 a 1 que a seleção levou não foi um " erro de percurso" como a Globo quer que gente acredite. Esse 7 a 1 reflete toda bagunça que toma conta de nosso futebol a umas 2 décadas. Agora surgem possibilidades de mudanças, porém o torcedor continua sendo deixado de lado.