segunda-feira, 9 de junho de 2014

Flamengo tem recurso negado. Confederações, que não formam atletas, dominam o repasse estatal

O Flamengo, como se sabe, não teve seus três recursos aceitos para corrigir a não habilitação inicial referentes aos convênios da Secretaria de Alto Rendimento, via Ministério do Esporte.

Foram três projetos apresentados totalizando R$ 8,4 milhões para investimentos no vôlei, ginástica, piscina olímpica, remo e canoagem. A alegação para a não-habilitação da Secretaria foi de que faltou o plano de trabalho.

A resposta do Flamengo, segundo apuração deste blog, foi de que "quanto ao plano de trabalho, o mesmo foi até elogiado pelo Ministério quando entramos com o recurso. Estranhamos que vários clubes formadores de atletas e que pagam seus impostos em dia não tenham seus projetos qualificados, enquanto a maioria dos pedidos das confederações teve o ok para ir em frente."

(Com Marcelo Vido à frente dos esportes olímpicos Rubro Negros, um dirigente que durante sete anos esteve à frente do Minas TC,  fica difícil acreditar que faltou justamente o cerne de um projeto para angariar recursos do governo federal. Lembremos: à época, o clube contratou a mesma empresa de consultória da Confederação Brasileira de Clubes para alinhar as alterações do seu estatuto à Lei Pelé, evitando assim qualquer tipo de incoerência e impedimento em receber recursos da referida Lei)

Coincidência ou não, dos 53 projetos habilitados e agora classificados, apenas nove não são ligados às Confederações e Federações. A maior aprovação foi obtida pela Confederação Brasileira de Hipismo e seus R$ 15 milhões para "Custeio da continuidade a preparação e estruturação das Seleções Brasileiras Permanentes de Adestramento, Concurso Completo de Equita (CCE) e Salto, visando os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro".

Depois veio a CBB com R$ 14 milhões para a Seleção adulta masculina, R$ 8,8 milhões para a Seleção adulta feminina, R$ 8,2 milhões para a Seleção da base, R$ 7,3 milhões para uma "Escola Nacional de Basquete" e mais R$ 10,2 milhões em outros quatro projetos, isso depois do Tribunal de Contas da União apontar "problemas de liquidez financeira na Confederação Brasileira de Basquete, apresentando risco inerente às transferências de recursos públicos a entidades com problemas de gestão financeira, por não estar o COB atentando ao disposto no art. 18, inciso I, da Lei 9.615/1998, pelo qual é restringida a transferência de recursos da Lei Piva àquelas entidades que possuam viabilidade e autonomia financeira".

E se não bastassem todos os escândalos revelados pela imprensa, a CBV teve aprovado R$ 10 milhões para preparar suas duplas de vôlei de praia até 2016.

Até a gloriosa Confederação Brasileira de Desportos na Neve garantiu R$ 7,9 milhões para brincar de esporte aqui no Brasil.

Os esportes olímpicos do Brasil são dependentes de repasse financeiro estatal, empresa privada é praticamente inexistente neste mercado, mesmo faltando dois anos para os jogos de 2016. Alexandre Póvoa em entrevista recente foi certeiro em afirmar que a disputa clubes x confederações é inglória. São os clubes que formam e fazem acontecer os esportes olímpicos, porém são tratados como irrelevantes nesse processo.

Por fim, segue o trecho do post de Alberto Murray:

"...Ocorre que nem o Ministério do Esporte, nem o Comitê Olímpico Brasileiro dão a mínima para a base formadora das nossas delegações. Com tanto dinheiro público que jorra nos cofres do Comitê Olímpico Brasileiro, não é aceitável que não haja um projeto que faça com que os clubes, células mater do nosso esporte, mantenham e impulsionem seus esportes olímpicos. Do jeito que a coisa vai, é bem provável que dois de 2.016 não exista mais esporte no Brasil. Os Jogos Olímpicos de 2.016 parecem ter um fim em si mesmo, que nada de bom está trazendo para os nossos atletas."

E os tuítes de José Cruz:




5 comentários:

João Duarte disse...

André, na pratica, o que significa plano de trabalho? E por que o Flamengo não foi capaz de apresentar isso?

Abraços

André Amaral disse...

João, dê uma lida no item 5:

http://www2.esporte.gov.br/arquivos/snear/chamamentoPublicoEdital2013.pdf

Leo Villante disse...

Mais e agora, cabe recurso ou tem que chamar a policia federal para investigar esse derrame de dinheiro publico, que o Ministério dos Esportes está nitidamente distribuindo para as federações e confederações, que não deixará nenhum legado para os verdadeiros formadores de atletas(os clubes)!

Anônimo disse...


Voto declarado

O número dois do Ministério do Esporte decidiu entrar de cabeça na campanha de Eurico Miranda para a presidência do Vasco. Luis Fernandes, secretário-executivo de Aldo Rebelo e ex-vice presidente do clube na gestão Eurico, gravou um vídeo apoiando veementemente a volta do dirigente. Diz Fernandes:

- Não tenho dúvidas de que a candidatura que tem melhores condições de resgatar a grandeza do clube é a de Eurico Miranda. Essa é uma posição que não se baseia em preconceitos. Das desgraças que tivemos, a pior foi aceitar uma posição de inferioridade ao nosso principal rival. A candidatura de Eurico Miranda representa o repúdio ao complexo de vira-latas vascaíno

Por Lauro Jardim

Anônimo disse...

Alguém viu a reportagem tendenciosa do jornal Lance?? "Erro na construção de projeto faz Fla ‘perder’ milhões no esporte olímpico"