terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O histórico de Flamengo x Independiente

1995

Era 6 de dezembro de 1995, ano do centenário, e o Flamengo precisava de um título para salvar a temporada, que havia começado esperançosa, com a contratação de Romário, campeão do mundo, que se juntou ao jovem Sávio, formando com Edmundo o que deveria ter sido o "melhor ataque do mundo".

O Flamengo já havia perdido o título estadual no gol de barriga de Renato Gaúcho, havia sido eliminado da semifinal da Copa do Brasil para o Grêmio de Felipão e fazia um Brasileiro miserável. 

A última esperança era a Supercopa dos campeões, torneio que reunia os campeões da Libertadores. A campanha era boa: havia eliminado o Vélez da Argentina, Nacional do Uruguai e o Cruzeiro. Já o adversário, das três classificações, duas foram obtidas nos pênaltis.

No primeiro jogo, sem Edmundo, que havia se envolvido no acidente de carro que provocou a morte de duas pessoas no Rio de Janeiro, o Independiente fez 2 x 0, com o jornalista Apolinho de treinador da Gávea.

O primeiro gol argentino foi relâmpago: logo aos 40 segundos. Segundo relato do jornal, Romário e Sávio faziam uma partida apagada. O jogo seguia quente, com muitas faltas. Aos 27 minutos do segundo tempo, quando o Flamengo era melhor, o Independiente marcou o segundo.


Aqui o histórico com as notas e comentários sobre as atuações dos jogadores sem firulas: "mal na defesa, pior no apoio", "cobrança de falta bisonha" e "noite horrorosa".


O time voltou pro Rio com a missão de encerrar a temporada com o título, após altos investimentos feitos para o ano do centenário:


O Maracanã recebeu mais de 105 mil torcedores. As catracas foram arrebentadas e houve invasão do estádio. Uma mulher foi pisoteada e faleceu dias depois.

Porém, o resultado não veio, e o centenário terminou de forma trágico. Apenas 1 x 0 aos 16 minutos da etapa final com gol de Romário não foi o suficiente:


E as notas com os ótimos comentários: "Horroroso", "Nem cruzamento de bola parada acertou", "Inútil como cabeça de área". 



1999

Quatro anos depois, Flamengo x Independiente se cruzaram novamente, porém, dessa vez, pela quarta de final da Copa Mercosul em 1999. O último título relevante havia sido em 1992, apesar da vitória contra o fortíssimo Vasco no Estadual daquele ano, recém campeão da Libertadores no ano anterior.

Na última rodada da fase de grupos o Flamengo precisava de vencer por diferença de quatro gols para conseguir a classificação. Romário tratou de garantir a vaga marcando os quatro. Com 35 minutos do primeiro tempo, a missão já estava cumprida. Terminando com um sensacional 7 x 0 contra o Universidad do Chile.

No primeiro jogo da quartas de final, empate com sabor de heroísmo. Com dois a menos o Flamengo segurou como pôde o 1 x 1 em Buenos Aires. 

A história do jogo conta que Beto foi expulso no primeiro tempo e mesmo com um homem a menos, Fábio Baiano abriu o placar. Na etapa final, Reinaldo também foi expulso. Os argentinos empataram e Clemer pegou tudo para segurar o importante resultado e decidir a vaga no Maracanã.


Os preparativos para o jogo de volta foram animadores: quem comprasse ingresso até às 18h no metrô da Gávea ou no Maracanã garantiria também o ingresso para assistir o jogo contra o Santos pelo Brasileiro para garantir o G8. (Não adiantou muito, porque o Rubro Negro perdeu por 1 x 0 gol de Dodô. Ato contínuo, na última rodada, com todos os resultados favoráveis para voltar a entrar na zona de classificação do Brasileiro, acabou perdendo para o Juventude por 3 x 1. Foi justamente no Sul do país a última partida de Romário pelo Flamengo. A partir da semifinal da Mercosul em diante, quem deveria resolver era Lê, Reinaldo, Caio e cia)

Sem Reinaldo e Beto expulsos na Argentina, os problemas de contusão eram inúmeros: Fabão, Jorginho, Leonardo Inácio, Rodrigo Mendes, Caio e  Marco Antônio também desfalcam o elenco do Carlinhos, que contou com apenas cinco suplentes no banco de reservas: Júlio César, Juan, Ronaldo, Maurinho e Lê. 


Com menos de 24 minutos o Flamengo já atropelava o Independiente por 3 x 0: Leandro Machado aos 10, Fábio Baiano aos 15 e Romário aos 24. E aos 11 minutos do segundo tempo, Leandro Machado marcou seu segundo gol.


A vaga para a semifinal estava garantida e o adversário seria o Peñarol.


2001

Após um começo horrível na Copa Rio-São Paulo, quando o Flamengo fez sua pior campanha na história, o sol começou a brilhar na Gávea. 

Na disputa pelo título da Taça Guanabara, decisão contra o Fluminense, pênaltis, e o gol espírita de Cássio, após defesa do goleiro tricolor, a bola quica e entra de mansinho. O Vasco venceu a Taça Rio e novamente os dois rivais estavam na disputa pelo Carioca.

Primeiro jogo, vitória vascaína por 2 x 1. O Flamengo precisaria de ganhar por dois de diferença para ser campeão. Vencia por 2 x 1 até os 43 minutos do segundo tempo, quando Petkovic fez o histórico gol de falta, que rendeu o tricampeonato carioca, ambos conquistados em cima do rival de São Januário. 

Logo na sequência, embalado pelo título carioca, nova conquista: Copa dos Campeões, torneio que reunia os campeões estaduais e o campeão se classificaria para a Libertadores do ano seguinte. No primeiro jogo da decisão contra o São Paulo, vitória por 5 x 3, no segundo, derrota por 3 x 2. Pet novamente marcou outro golaço de falta, o segundo, que garantiu a conquista. Em poucos meses, dois títulos seguidos, e a classificação para a Libertadores do ano seguinte. 

A temporada deveria ter sido animada, no entanto, no decorrer do ano, novamente um Brasileiro tenebroso, lutando para não ser rebaixado. 

Outra vez o clube joga todas as fichas na Mercosul. O espírito era bem diferente: primeiro lugar do grupo 2 com apenas uma derrota e novamente o adversário nas quartas de final era o Independiente. 

Primeiro jogo da final, uma boa atuação do Flamengo, que criou as melhores chances, mas não conseguiu marcar. O empate sem gols estava de bom tamanho:


Vésperas do jogo de volta, que foi disputado em Brasília, problemas internos entre as duas estrelas da equipe: Edilson e Petkovic. Tudo começou quando o gringo se recusou a assinar uma camisa com os dizeres: "Edilson 100%". Sem condições de saúde pra contornar os problemas do vestiário, Zagallo transferiu a responsabilidade para a diretoria, que também nada fez.


Com esse clima, o Flamengo novamente goleou o Independiente por 4 x 0 e garantia a vaga na semifinal contra o Grêmio.

Graças à trégua entre as duas estrelas da equipe, após apelo dos próprios companheiros, entre eles Julios César no gol, a dupla conversava através de passes dentro de campo e encaminhava a bela vitória. 

Com um a mais, Pet tocou para Edílson abrir o marcador aos 24 minutos. Na comemoração, os dois nem se olharam. Pet seguia endiabrado e deixou o zagueiro Juan livre para fazer 2 x 0 aos 25 minutos. Aos 34 minutos, escanteio novamente cobrado pelo gringo e Juan fez 3 x 0. Aos 24 minutos da etapa final, Edílson marcou de cabeça e liquidou a fatura.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Torcida do Independiente desembarca no Rio de Janeiro sem ingresso


A hinchada dos Independiente já desembarcou no Rio de Janeiro, a maioria sem ingresso.

É o que informa o jornal Clarín.

Confira:


Em entrevista, um torcedor argentino disse que chegaram na noite desse domingo em Copacabana cerca de 70 torcedores, todos sem ingressos. E vem muito mais gente nessa situação de Buenos Aires: "Chegamos ontem à noite em Copacabana, éramos cerca de setenta, porém ninguém tem ingresso. Vem muita gente nessa situação, esperamos que o Flamengo solte mais duas mil entradas. Entrar vamos entrar...."

Segundo o Olé, são esperados 10 mil torcedores:


O Independiente teve direito a quatro mil ingressos. Todos esgotados, quase poucos vendidos. A grande maioria foi distribuídos para parceiros do clube argentino.

O Flamengo nega que colocará mais ingressos para o adversário.

Serão seis mil argentinos vagando pelas ruas do Rio de Janeiro.

De 14 finais da Sul-Americana, em 12 o campeão disputou o segundo jogo da decisão em casa

À exceção da edição passada, cuja final não foi disputada em virtude da tragédia com a delegação da Chapecoense, das 14 decisões, em 12, o clube campeão foi aquele que jogou a segunda partida diante de sua torcida.

Em apenas duas vezes o campeão conquistou a Sul-Americana fora de casa: em 2006 com o Pachuca e em 2009 com a LDU.

Porém, em apenas duas vezes um time que foi derrotado no primeiro jogo fora de casa conquistou a Sul-Americana em seus domínios: o Boca Juniors, em 2004, quando perdeu para o Bolívar por 1 x 0 e na volta ganhou de 2 x 0, e o mesmo Independiente, em 2010, que perdeu fora de casa para o Goiás por 2 x 0 e em casa, diante de sua torcida, venceu por 3 x 1, sendo campeão nos pênaltis.

Os últimos quatro campeões, todos empataram fora de casa e conquistaram a Sul-Americana em seu estádio.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Entrevista: Eduardo Cecconi, analista de desempenho

O blog entrou em contato com um dos maiores especialistas em análises táticas do Brasil: Eduardo Cecconi, que exercia há cinco anos a função de analista de desempenho do Grêmio e recentemente deixou o clube do sul.

Confira a nossa conversa:

Qual era a sua função no Grêmio durante sua passagem?

Entrei no clube como fundador do departamento de análise de desempenho nas categorias de base, ao lado do Lucas Sacchet, em maio de 2012. Após quase 2 anos no setor, construído do zero por nós dois, fui promovido ao CDD (Central de Dados Digitais) do futebol profissional, em janeiro de 2014, onde trabalhavam o coordenador Lucas Oliveira (hoje no Atlético-PR), o analista Roberto Ribas (hoje auxiliar do técnico Roger Machado) e o então estagiário Antônio Cruz. Em pouco tempo tanto o Lucas quanto o Roberto saíram, e eu fui promovido a coordenador do setor, com o Antônio sendo efetivado como analista assim que se formou na ESEF-UFRGS.


Como encontrou o departamento de análises no Grêmio e como deixou em sua saída?

O CDD tinha um excelente know-how, por ter sido o primeiro departamento profissional de análise de desempenho em clube brasileiro, inaugurado em 2006 pelo técnico Mano Menezes e pelo analista Rafael Vieira, que trabalham juntos no Cruzeiro. Mas, também por ser o pioneiro, estava um pouco defasado em questões tecnológicas...hardwares e softwares já obsoletos em um universo onde novidades aparecem a cada momento.

Foi então que, apoiados por dirigentes visionários como o vice Antônio Dutra, "renovamos a frota" com novos iMac's, Macbook's e iPad's, câmeras, placas de captura e softwares como o Sportscode (protocolos de scout associados a vídeos) e o tOG Sports (análises por vídeo tracking), além de parcerias com empresas como Wyscout, OPTA Perform, InStat e Kin Analytics, provedoras de informações.

Participei também de reuniões para o desenvolvimento dos softwares da empresa SAP, mas ao contrário do que se diz, eles nunca foram implantados no setor de análise de desempenho do clube. Toda vez que saía uma reportagem atribuindo algo ao "software alemão" os analistas se olhavam e diziam um ao outro: "parabéns software alemão".


Na prática, como funcionava sua equipe? Á função de cada um. Antes de cada jogo era entregue um relatório do adversário para a comissão técnica com filmagens, números, ponto fraco, forte?

São muitos os protocolos-padrão de trabalho. Costumo dizer que o setor é um imenso "a la carte", tem um grande cardápio de produtos que podem ser entregues à comissão, à diretoria e aos jogadores, mas as demandas prioritárias são estabelecidas pelo treinador. Segue-se um protocolo básico de produtos para a manutenção de um acervo coerente com o que sempre foi feito, mas aquilo que é entregue diretamente à comissão precisa se adaptar ao que o treinador pede/gosta.

Em geral os três analistas se envolviam em todos os processos, mas com direcionamentos - eu mais ligado à consolidação sobre os próximos adversários, o Antônio Cruz ao material do Grêmio e o Rafael Tavares (que chegou, se não me engano, em 2016) com a análise de mercado - criação de um banco de dados sobre jogadores observados.

Os relatórios sobre adversários logicamente contêm vídeos de análise, relatórios em pdf com descrições de comportamentos táticos e técnicos coletivos e individuais e interpretações/contextualizações de dados de scout. Apesar da correria do calendário a meta era entregá-los na antevéspera do próximo jogo.


O Corinthians encaminhava vídeos curtos para cada jogador via Whats App apps jogos para corrigir os erros. Como funcionava no Grêmio?

A atual comissão do Grêmio - Renato e seu auxiliar - são mais "orais", utilizam pouco o potencial do departamento. Gostam de conversar com os jogadores sem utilizar materiais audiovisuais fora do básico.

O vídeo de "correções" do jogo anterior era passado aos atletas na "sessão de vídeo" (junto com a análise do próximo adversário, na véspera da partida), sem recebermos nenhuma orientação. Os próprios analistas cortavam os lances, e para não se tornar algo subjetivo - já que isso deveria partir do treinador e do seu auxiliar - optamos por definir como critério único de seleção lances que resultavam em situações de gol, tanto do Grêmio quanto do adversário. Se gerou situação de gol, ia para o vídeo. Assim evitava-se uma discussão sobre os porquês de ter escolhido tal lance, ao invés de outro. Era um critério objetivo diante da carência de orientação/supervisão.

Aos jogadores passávamos pelo whatsapp os vídeos e relatórios do adversário, os nossos scouts e os dados físicos deles (distâncias percorridas, velocidades, números de piques e arranques, etc).


O Grêmio venceu os dois jogos contra o Flamengo pelo Brasileiro. Pode nos revelar qual foi o material entregue pro Renato Gaúcho sobre pontos fracos e fortes, números do Flamengo? 

Como não estou mais no Grêmio desde o final do mês passado não tenho acesso a estes documentos para relembrá-los e trazer informações precisas.


O Centro de Análise também listava reforços para a comissão técnica escolher dentro do modelo de jogo estabelecido do time ou indica tal reforço? Como era realizado? Pra quem era passado depois?

No Brasil este trabalho é uma "zona cinzenta", porque os dirigentes em geral ainda são reféns das indicações de empresários. Por mais nomes monitorados e observados pelo CDD, os que mais interessam aos dirigentes são os que vêm por indicação. Então o setor trabalhava em duas frentes...manter uma observação com ênfase nos mercados brasileiro e sul-americano, com um banco de dados de jogadores que atendiam a critérios táticos e técnicos listados por função após definirmos o que era relevante, e uma observação sob os mesmos parâmetros dos jogadores indicados por empresários e trazidos pelos dirigentes.


Falando de Flamengo. Disse que viu o primeiro tempo da final da Sul-Americana. Qual sua análise sobre o jogo que assistiu?

Gostei do que vi, o empate sofrido foi uma injustiça diante do que a equipe apresentava (não sei as circunstâncias da virada no 2º tempo). Mais uma vez o Cuellar estava controlando totalmente o meio-campo, tanto sem quanto com a bola, assim como ele havia feito na derrota para o Grêmio na Arena...outro jogo que, se for analisado friamente, vai se constatar que o Flamengo foi melhor, e o Cuellar teve papel dominante.


Se fosse analista tático do Flamengo, o que falaria para Rueda para o jogo no Maracanã?
Como não assisti a toda a partida, e também não acompanho os treinos do Flamengo, seria anti-ético ou irresponsável eu ousar indicar caminhos.


Qual sua análise sobre o trabalho de Reinaldo Rueda?

Gosto muito das ideias de jogo dele, os princípios e sub-princípios são facilmente identificados dentro do modelo de jogo - ou seja, é uma equipe com ideias claras e bem treinadas. São evidentes as sincronias de movimento ofensivas, desde a construção, com oferta de amplitude simultânea tanto na linha da bola como mais à frente. Com isso o time consegue alternar velocidades, circulando a bola horizontalmente de lado a lado e quebrando este ritmo para acelerar com passes mais verticais. Também me agrada as pequenas rotações de elenco que ele faz, mantém todos com possibilidade de jogar e vai criando alternativas diferentes adaptadas ao contexto do jogo.


Por fim, já tem propostas pra próxima temporada?

Propostas, ainda não. Três clubes de Série A entraram em contato comigo, um deles parecendo interessado em avançar nas conversas, os outros dois apenas sondando o eventual interesse, mas não recebi nada concreto. Por enquanto estou descansando após uma rotina extremamente desgastante de trabalho e viagens que havia iniciado na primeira quinzena de janeiro sem intervalo até eu pedir demissão.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A repercussão argentina da vitória do Independiente no primeiro jogo da final Sul-Americana

A vitória por 2 x 1 na primeira partida das finais da Copa Sul-Americana rendeu as tradicionais reportagens apaixonadas, dramáticas, típico dos argentinos.

O La Nacion destacou a mística da equipe argentina: "Independiente apelou para a mística e conseguiu triunfo contra o Flamengo, pelo primeiro jogo de ida da final da Copa Sul-Americana".

E completou: "Estar em uma final da Copa Sul-Americana e para os torcedores do Independiente é como se sentisse a alma voltando ao corpo".

O jornal destaca a juventude dos jogadores argentinos contra um Flamengo experiente e de jogadores rodados: "É uma geração de jovens que surgem no clube, que jogaram com personalidade como se fossem experientes: Alan Franco (21 anos), Fabricio Bustos (21), Martín Benítez (23) e Maxi Meza (25), contra um Flamengo que chega como favorito e tem em seu plantel jogadores experientes, com média de 27 anos, com histórico de várias finais em seu histórico, e que foram eclipsados pela maturidade e coragem mostradas pelos jovens do Independiente, que não se intimidaram pela pressão que vinha da arquibancada".

O Clarín destacou a seguinte manchete: "De menor a maior", destacando que o Independiente deu o primeiro passo rumo à glória. E que no mítico cenário do Maracanã vai buscar tentar ganhar mais um título internacional, após sete anos.

E as capas dos jornais argentinos dessa quinta-feira:


Copa Sul-Americana 2017 - 1º jogo da final: Independiente 2 x 1 Flamengo


Nos primeiros 90 minutos da decisão da Sul-Americana, diante de um punhado de vermelhos, que lotou o estádio "Libertadores de América", o Flamengo abriu o placar, mas permitiu a virada contra o Independiente por 2 x 1 e vai precisar de vencer por pelo menos dois gols para erguer a taça no Maracanã.

Sem gol qualificado, uma vitória simples Rubro Negra e a decisão vai para a prorrogação, seguida de pênaltis.

Em que pese a bonita festa e um estádio erguido na vertical para assustar qualquer mortal que nele pisar, o Flamengo iniciou a partida como manda a cartilha: tocando bola, agredindo o adversário e não aceitando pressão.

Em cobrança de falta, o Rubro Negro já apresenta logo de cara sua principal arma nessas últimas partidas sul-americanas: a bola erguida na área para subida dos zagueiros. Trauco cruzou na medida para Réver abrir o placar aos 8 minutos.

Tensão na arquibancada e um Independiente assustado com o gol logo no início. O Flamengo parecia um time copeiro, não se intimando por jogar fora e tratou de continuar trabalhando a bola e chegar com perigo.

Aos 20 minutos faltou pouco, mais muito pouco mesmo para Juan quase ampliar o marcador, após cruzamento do Diego.

A partir daí o Flamengo começou aos poucos a recuar. Estava disposto a sofrer um pouco e a bola teimava em não parar mais no ataque. Era um bate e volta desgraçado e pressão do Indepediente, liderado por Mesa, Benitez e Barco, que trocavam freneticamente de posição, arrumavam boas triangulações e começavam a chegar com perigo, novamente nas costas do Trauco, que já havia sofrido um bocado com a dupla "Chará-Téo" do Atlético Júnior.

O duro é que o time conseguiu sofrer, aguentar a pressão, César fez boa defesa em cobrança de falta, Pará se jogou para impedir um gol certo, e me leva gol de contra-ataque.

Bola com Éverton Ribeiro, que resolve fazer graça no ataque e perde a bola. Velocidade fulminante do adversário, que consegue o empate aos 32 minutos.

Jogando com três meias, sendo que novamente dois desses não faziam uma boa partida, faltava profundidade pro time ficar mais esticado e não embolar o meio de campo. Faltava velocidade para Diego e Éverton Ribeiro empurrar o time pro ataque e tentar se aproximar do Vizeu, muito isolado e sem a capacidade de dominar os chutões que recebia.

Outra vez Rueda é incapaz de corrigir o problema antes de acontecer o dano fatal, é incapaz de antevê o que está escancarado. Logo aos 10 minutos, veio o castigo: jogada de Barco pela esquerda, Arão atrapalha a marcação, e Mesa marca um belo gol para fazer 2 x 1.

Exatamente um minuto depois, aos 11, entra Éverton no lugar de Paquetá. Aos 26 minutos Vinicius Jr entra no lugar do Diego.

Com a virada, o temor era que o Indepediente viesse pra cima para tentar liquidar a fatura em seu território, aproveitando-se da semana livre que teve de preparação e de um Flamengo que carrega nas costas o peso de mais de 80 jogos e uma maratona de voos fretados. Porém, à exemplo da semifinal contra o Libertad, quando os argentinos abriram 3 x 1 no primeiro tempo e jogaram na defesa no segundo tempo, outra vez repetiram a estratégia.

Com as substituições, o Rubro Negro consegue pressionar e empurrar o adversário. Dessa vez Éverton Ribeiro mais centralizado, achou dois bons passes para Vizeu e Éverton Cardoso.

Pela direita, Vinicius Jr se virava para arrumar espaço e criar as jogadas.

O Flamengo pressiona, o Independiente sofre e consegue segurar a pressão, pois joga mais concentrado e sem errar, ao contrário do Rubro Negro.

Agora o time da Gávea terá uma semana limpa para se preparar, rever a escalação de Diego e Éverton Ribeiro juntos, para tratar de ganhar o título no Maracanã.

É possível!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Clarín: "Independiente necessitará de sua mística copera para superar o Flamengo"


Reportagem do Clarín invoca a a mística copera para superar o Flamengo na final da Copa Sul-Americana, "que apostou na Libertadores e terminou com a ilusão da Sul-Americana".

Segundo o jornal, a equipe do Independiente chega à final com merecimento, mas tem detalhes que precisam ser ajustados, principalmente no sentido de dar continuidade ao rendimento durante todo o jogo, pois, nas semifinais contra o Libertad mostrou muita intensidade no primeiro tempo, quando marcou três gols, (fez 3 x 1) e mostrou desnível na segunda etapa, recuando por demais, e que essa oscilação, "contra um rival superior, como parece ser a equipe brasileira, pode ser grave". Que o objetivo é ser intenso o máximo de minutos.

A torcida pela mística é tamanha, que o jornalista Nahuel Lanzillotta fez uma crônica explicando "O que é a mística?"

E cita diversos jogadores que fizeram história no Independiente, relembra as sete conquistas da Libertadores, em que pese não ganhar uma há 33 anos, as 18 finais sul-americanas, só perdendo três.

Por óbvio, lembra do título de 95 no Maracanã contra o Flamengo: "mística é levantar a Supercopa dos campeões de 95 e bailar de carnaval no Rio de Janeiro no Maracanã repleto de Rubro Negros de um Flamengo de Romário".

E termina:

"Mística é cair no inferno e ser empurrado por demônios (como sua torcida é conhecida) para voltar a levantar-se e disputar outra final de copa, como essa noite contra o Flamengo. Mística é jogar na Libertadores da América (nome do estádio do Independiente), desbravando e reeditando épocas douradas".

Final da Sul-Americana: será utilizado o árbitro de vídeo nas duas finais

Será utilizado nas duas finais da Copa Sul-Americana o VAR (Assistência à Arbitragem de Vídeo) para as seguintes situações: gol, penalidades, expulsões diretas (não por dois cartões amarelos) ou para a identidade em caso de confusão. Tanto para validar uma ação quanto para modificá-la para um erro, se necessário.

Confira a equipe de arbitragems para o primeiro jogo da final:


O árbitro principal pode solicitar a intervenção do sistema para tomar uma decisão, ou se houver um "erro claro" ignorado pelo árbitro principal, o assistente de vídeo será capaz de avisá-lo e dar-lhe a possibilidade de rever o jogo na tela que estará no campo de jogo.

O juiz continua a ser a autoridade máxima dentro do campo de jogo, podendo ignorar o VAR se ele confiar em seu poder de decisão.

Os jogadores do Independiente tiveram um curso sobre o assunto. Espero que o Flamengo também tenha preparado seus jogadores para essa novidade:


La Nacion: "Em 16 anos, nunca houve uma final de Sul-Americana com duas equipes de tão grande prestígio"

Após sete anos, o "rei de copas" está de volta a uma final sul-americana.

Segundo o impresso argentino, em 16 Copas Sul-Americanas, não houve uma final de tamanho prestígio como esse de 2017 entre Flamengo x Independiente:


Na única decisão entre as duas equipes, o Independiente conquistou a Supercopa dos Campeões, torneio que reunia os campeões da Libertadores, após vencer em casa por 2 x 0 e perder por apenas 1 x 0 no Maracanã.

A última final de Sul-Americana da equipe argentina foi em 2010 contra o Goiás, nos pênaltis.

Porém, dessa vez será um Flamengo x Independiente:


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Final da Copa Sul-Americana 2017: ingressos esgotados para o jogo de volta

Faltando oito dias para o segundo jogo, todo os 52 mil ingressos disponíveis foram vendidos.

Isso tudo após uma venda caótica para os sócios torcedores, que demoraram mais de três horas para acessarem e finalizarem a compra do ingresso.