quarta-feira, 26 de junho de 2019

CBF não interromperá o calendário para outra Copa América em 2020. Os clubes precisam agir


Segundo o site Globo Esporte, em reportagem de Martín Fernandez, o Campeonato Brasileiro de 2020 não será interrompido para a realização de mais uma edição da Copa América (que raio de competição insuportável todo ano?!).

O torneio será realizado entre junho e julho com sede na Argentina e Colômbia.

Ao contrário do que prometeu no discurso de posse, confira aqui, quando na ocasião, o presidente eleito da CBF, Rogério Caboclo, afirmou que teriam mudanças no calendário do futebol brasileiro, e que em 2020 as Datas Fifa estariam livres no calendário das competições nacionais.

O calendário do ano que vem só ficará pronto no segundo semestre, mas o cenário para que não tenha interrupção é inevitável.

É hora dos clubes tomarem as rédeas e impedirem essa maluquice, especialmente quem será o mais atingido: o Flamengo, através do seu presidente, Rodolfo Landim, que inclusive está sendo o chefe da delegação brasileira na atual Copa América.

Que a CBF não liga a mínima para seu principal produto é fato, por outro lado, não adianta depois os clubes reclamarem  de que estão perdendo seus principais jogadores durante o Campeonato Brasileiro.

Lembrando que a Conmebol irá paralisar suas competições em Datas Fifa.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Pelo Bayern, Rafinha teve média superior de passes trocados e melhor aproveitamento que Pará e Rodinei


Rafinha chega com a missão de dar um salto de qualidade nas duas laterais. Isso porque o atleta joga tanto na direita quanto na esquerda. E ainda atua no meio de campo.

Por conta da sua versatilidade, ganhou em abril do ano passado uma matéria especial do jornal Abendzeitung, que o comparou com um dos grandes ídolos do Bayern: o ex-lateral Philipp Lahm, que foi para o meio de campo, dando liberdade ao brasileiro para ser o titular absoluto na lateral.

Em 2013, no famoso livro "Guardiola Confidencial", escrito pelo jornalista Martí Perarnau, há um capítulo exclusivo para o lateral, cujo título é: "Rafinha, o mais importante".

No sexto parágrafo é destacada essa mudança de posição e a felicidade do brasileiro por essa oportunidade:


Outra declaração importante veio do treinador do Bayern, Jupp Heynckes, em entrevista à revista alemã "Kicker" no ano passado: "Especialmente na parte física, Rafinha está em plena forma. Se for comparado a Daniel Alves, é mais forte. Quando Rafinha joga, tem sempre bom desempenho. É respeitado, treina muito bem, é um grande profissional".

Aos 33 anos, após oito temporadas defendendo o Bayern de Munique (média de 33 partidas por temporada), o lateral se despediu do futebol alemão e agora defenderá o Rubro Negro por dois anos.

A expectativa é grande por um crescimento técnico e tático.

Um dos pontos fortes do Rafinha é o passe. Na última temporada, o novo lateral direito distribuiu uma média por jogo de 76,6 passes, contra 45 de Pará e 39 passes de Rodinei.

É evidente que o nível de competição que Rafinha atuou (Bundesliga, Champions League e Copa da Alemanha) não se compara ao Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.

Mesmo assim, o lateral teve 30 passes trocados a mais do que Pará e 36 passes a mais do que Rodinei. Além de  aproveitamento maior: 93% de acerto, contra 85% de Pará e 84% de Rodinei.

Isso pode impactar muito tanto na saída de bola quanto na construção das jogadas. Vai ser interessante o diálogo com Éverton Ribeiro pela direita, que durante anos precisou triangular com jogadores pouco inteligentes por lá.

Outro ponto que merece destaque é a força do Rafinha nos passes longos. Foram 3,7 por jogo com aproveitamento de 77%, contra 53% de Pará e 40% de aproveitamento de Rodinei.

É preciso entender que Rafinha não tinha na Alemanha a característica de fazer muitos cruzamentos. Seu futebol é muito mais tático do que de chegar à linha de fundo e erguer bola na área de qualquer maneira, o que é bastante comum no futebol brasileiro.

O melhor é que Rafinha não vai bater de frente com um treinador brasileiro viciado nesse futebol ultrapassado e distante do que é jogado na Europa, o que causaria uma necessidade de adaptação grande. Pelo contrário: encontrará como "mister" Jorge Jesus, que saberá exatamente entender de que forma o novo lateral Rubro Negro joga.

Segue o mapa de calor de Rafinha em sua última temporada no Bayern atuando nas duas laterais:


Com dados do @Analise_CRF.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Basquete: Crescenzi e Nesbitt deixam o Flamengo

O Flamengo anunciou oficialmente que os contratos de Kevin Crescenzi e David Nesbitt não foram renovados para a próxima temporada.

Com isso o clube deve anunciar muito em breve a chegada de Zach Graham. E o Rubro Negro busca no mercado um nome para revezar com Olivinha.

Resta uma dúvida, que é a permanência ou não de Davi Rossetto na armação, pois a disparidade quando Franco Balbi vai para o banco é grande.

E ainda há a questão da renovação do contrato com Anderson Varejão, que se encerra em setembro. Só existe uma saída: ou renova agora ou já dispensa e busca um novo jogador para a posição.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Basquete: Rafael Mineiro renova com o Flamengo


Semana agitada do basquete Rubro Negro.

Após anunciar as renovações de Olivinha e Franco Balbi, o Flamengo confirmou nessa quinta-feira que Rafael Mineiro ficará por mais uma temporada na Gávea.

É um jogador que não tem muito a preferência do torcedor, inclusive quando foi anunciada sua volta ano passado foi bastante questionado, mas comprovou dentro de quadra sua importância.

Peça chave no esquema de Gustavo de Conti, Mineiro foi um dos responsáveis pelo desempenho histórico do Flamengo: a equipe sofreu média de 71,1 pontos por jogo, a menor marca em todas as temporadas do NBB.

Na temporada, obteve média de 6,6 pontos por jogo e 4,7 rebotes em pouco menos de 19 minutos por partida.

Será a quarta temporada vestindo o manto Rubro Negro nos últimos cinco anos.


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O elenco segue da seguinte forma. Entre parênteses o jogador certo para a próxima temporada, porém ainda sem o anúncio oficial:

Armador: Franco Balbi
Ala-armador: Deryk Ramos e (Zach Graham)
Ala: Marquinhos e Jhonatan Luz
Ala-pivô: Olivinha
Pivô: Rafael Mineiro e Anderson Varejão (até setembro)

Técnico: Gustavo De Conti

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Basquete: Franco Balbi renova com o Flamengo


Após renovar com Olivinha, o Flamengo anunciou que Franco Balbi também permanecerá por mais uma temporada na Gávea.

O argentino foi eleito o melhor armador do NBB, além do melhor estrangeiro.

Na fase de classificação, Balbi teve 10,2 pontos de média com 5,65 assistências e 3,58 rebotes. Nos playoffs, o argentino cresceu de produção e foi um dos protagonistas do título Rubro Negro, ao anotar 11,3 pontos, distribuir 5,75 assistências e pegar 4,6 rebotes.

Totalizando no NBB: 10 pontos, 5,6 assistências e 3,92 rebotes.

Em sua primeira temporada no Flamengo, Laprovittola terminou com média de 14,8 pontos por jogo, 4,94 assistências e 3,28 rebotes.

Será a primeira vez, desde a saída de Laprovittola (13/14 e 14/15), que o Flamengo renova com seu armador. Em 15/16 foi Rafael Luz, depois em 16/17 veio Ricardo Fischer e 17/18 a escolha foi por David Cubillan, e nenhum dos três ficou para a próxima temporada.

Com Balbi confirmado, até de certa forma rápida, o Rubro Negro mantém aquele que foi o principal equilíbrio: quando o argentino vinha bem, era difícil bater o Flamengo.


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O próximo anúncio deve ser a renovação de Rafael Mineiro. As saídas confirmadas são de Crescenzi e Nesbitt. A grande dúvida fica por conta da permanência ou não de Davi. O armador reserva foi um dos problemas da equipe na temporada e a posição pode ser melhor qualificada.

No garrafão, Anderson Varejão tem contrato até setembro.

O excelente Zach Graham, por enquanto, é a única contratação certa, mas ainda não anunciada.


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O elenco segue da seguinte forma. Entre parênteses os jogadores certos para a próxima temporada, porém ainda sem o anúncio oficial:

Armador: Franco Balbi
Ala-armador: Deryk Ramos e (Zach Graham)
Ala: Marquinhos e Jhonatan Luz
Ala-pivô: Olivinha
Pivô: (Rafael Mineiro)

Técnico: Gustavo De Conti

terça-feira, 18 de junho de 2019

Basquete: Olivinha renova e irá disputar sua oitava temporada seguida no Flamengo


O Flamengo inaugurou seu mercado visando a temporada 2019/2010.

E o primeiro nome não poderia ser outro: Olivinha renovou e permanece mais uma temporada na Gávea.

O ala-pivô irá disputar sua oitava temporada vestindo o Manto Rubro Negro. É, ao lado do Marquinhos, o atleta com mais tempo de casa do atual elenco.

Olivinha foi o MVP das finais contra Franca, que consagrou o Flamengo campeão na quinta e decisiva partida, terminando o NBB com média de 12,1 pontos e 5,8 rebotes.

São sete títulos cariocas, um Super 8, cinco brasileiros, uma Liga das Américas e um Campeonato Mundial.

Já estão garantidos: Marquinhos, Deryk Ramos, Jhonatan Luz e o técnico Gustavo De Conti, que possuem mais um ano de contrato com o Flamengo.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Quarteto contratado na temporada é responsável por mais da metade dos gols do Flamengo

Rodrigo Caio: do ostracismo ao jogador que mais entrou em campo no Flamengo

No primeiro trimestre, o Flamengo gastou mais de R$ 137 milhões em contratação e aquisição de jogadores.

Segundo o balancete trimestral divulgado no site do Rubro Negro, o quarteto formado por Arrascaeta, Bruno Henrique, Gabigol e Rodrigo Caio custou quase R$ 134 milhões.

Nem tudo será pago já nesse exercício. Uma parte será quitada em janeiro do ano que vem, além disso, com a venda de Uribe para o Santos, uma parte da contratação de Bruno Henrique será abatida.

Se o Flamengo está vivo em todas as competições no primeiro semestre, em que pese o caos tático liderado por Abel Braga, é graças ao quarteto contratado no começo do ano. É difícil imaginar um histórico de reforços tão certeiro como dessa temporada.

Na temporada passada, por exemplo, o clube gastou quase R$ 90 milhões com Pires e Vitinho. Atualmente, os dois estão na reservas.

Dos 61 gols marcados até agora, 35 foram feitos por Bruno Henrique (13), Gabigol (14), Arrascaeta (5) ou Rodrigo Caio (3), representando mais de 57% dos gols do Flamengo.

Além do resultado em campo, financeiramente o retorno também é visto: o Flamengo já conquistou mais de R$ 25 milhões em premiação, por ter avançado às quartas de final da Copa do Brasil, oitavas de final da Taça Libertadores e ter conquistado o Campeonato Carioca.

O vencedor da Copa do Brasil ganhará R$ 50 milhões ao campeão. Já o campeão da Libertadores levará pra casa R$ 47 milhões. O Brasileiro, R$ 33 milhões.

Para o segundo semestre, Rafinha já foi anunciado como o mais novo reforço.

Com antecedência de três dias, Jorge Jesus desembarca em definitivo no Rio de Janeiro

O último almoço em Portugal de Jorge Jesus

O prazo de chegada de Jorge Jesus no Rio era dia 20 de junho. No entanto, o novo treinador se antecipou e já desembarcou nessa segunda-feira, após um almoço com a família, todos devidamente trajados, no domingo.

Com ele chegaram três membros de sua comissão: o auxiliar João de Deus, o adjunto Tiago Oliveira e o analista de vídeo Rodrigo Araújo.

Outros quatro integrantes do staff chegam no Rio nesta terça: Mário Monteiro, preparador físico, Marcio Sampaio, que faz um trabalho voltado para prevenção e recuperação de lesões, Gil Henriques, analista de vídeo, além do coaching brasileiro Evandro Mota.

Em entrevista, Jesus disse que a chegada ao Rio é definitiva e afirmou: "Vou para um dos melhores clubes do Mundo, agora é falar menos e trabalhar mais".

O elenco retorna do breve recesso na quinta-feira, às 10h, quando então terá o primeiro contato com o novo treinador Rubro Negro.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Entrevista: Alexandre Póvoa, ex-vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo


O ex-vice-presidente de esportes olímpicos Alexandre Póvoa, que durante seis anos esteve à frente da pasta no Flamengo, concedeu uma entrevista exclusiva para o Ninho da Nação.

Confira:

A temporada e as finais do NBB contra Franca

Inicialmente, tenho por obrigação cumprimentar a atual diretoria, na figura do Delano Franco e do Presidente Landim, por também terem feito parte dessa conquista, pela contribuição possível que deram desde janeiro em um time já formado e embalado (tínhamos acabado de conquistar o Super 8 no final de dezembro). Eu faço a minha parte de cumprimentar, não me importa o outro lado.

Na temporada de 2012/2013 quando assumimos (em situação muito diferente, com 4 meses de salários atrasados e péssimas condições de estrutura) e ganhamos o título na final contra Uberlândia, houve uma grande discussão sobre a quem “pertencia” o título, à diretoria anterior ou à diretoria que assumiu. Acho essa discussão uma tremenda falta de rubro-negrismo. O campeão é o Flamengo, o que mais importa! Somos hexacampeões, disparados os maiores vencedores. Todos sabem da minha parceria com o Marcelo Vido, grande profissional, nos últimos anos na construção do nosso basquete. Que a história nos julgue, porque história para contar é que não nos falta.

A temporada foi desafiadora. Não é fácil fazer a mudanças radicais que fizemos, trocando a Comissão Técnica e trazendo sete jogadores (somente Varejão, Marquinhos e o Olivinha ficaram).

Decidimos isso porque era hora de buscarmos um basquete mais moderno e mais físico. Nesse sexto NBB que conquistamos, fomos a melhor defesa do campeonato e o time com maior número de rebotes, exatamente o que projetamos quando formamos o elenco. Um grupo muito forte e com uma rotação altamente equilibrada. Na verdade, as críticas foram pesadas e não acreditaram na gente quando perdemos o Sul Americano. Mas eu sempre repeti que esse grupo, com pequenos ajustes, é o de maior potencial após o time campeão de tudo de 2014. Podemos chegar muito mais longe. Estou muito confiante que iremos lutar pela Liga das Américas nesse ano com grandes chances de vencer.

Quanto às finais, nenhuma surpresa. Franca montou um grande time também e poderia ter ganho até porque tinha a vantagem do mando de quadra. Só quem já jogou em Franca sabe o clima altamente hostil a ser enfrentado. Pressão, ameaça. Enfim, é difícil ganhar lá e vencemos dois títulos lá dentro. Não é pouca coisa. O time deles era mais jovem, mas nossa equipe sobrava em experiência e unidade.

Das 5 conquistas recentes da NBB, foi a segunda (a primeira foi em Marília contra o Bauru) que ganhamos fora de casa, sabor especial. Não sei se foi a mais difícil. No NBB 15/16, tivemos um “match point contra” na semifinal em Mogi (onde a pressão é semelhante), ganhamos por 3x2 com muita raça, e depois vencemos de Bauru na final também por 3x2. Os jogos únicos contra Uberlândia e Paulistano nos dois primeiros NBBs conquistados também foram tensos, porque não havia margem para erro. O outro foi aquela varrida em Limeira e Bauru, foi menos nervoso.

Apenas um registro negativo. Um absurdo completo, no quarto jogo do playoff final, quando a diretoria do Flamengo desrespeitou o basquete e antecipou o jogo de futebol contra o Fortaleza para às 16 hs (com a nossa partida marcada para às 14:30 hs no Maracanãzinho). Todos sabemos que a mudança de campo para o Engenhão era inevitável, mas a modificação para 16 hs foi uma escolha do Flamengo que queria ganhar algumas horas de descanso para o jogo contra o Corinthians.

Com todo o respeito eu, se estivesse lá, iria lutar loucamente para reverter isso. Já aconteceu algumas vezes a mesma situação nos meus 6 anos de gestão, mas nunca em uma final. Sinceramente, tal desrespeito seria motivo até para pedido de demissão, pelo descaso total com o basquete e com os esportes olímpicos. Mas respeito a posição de cada um.

A volta ao Maracanãzinho foi fantástica e veio no momento correto. Tenho certeza que teríamos lotado o ginásio com 11 mil pessoas naquele quarto jogo. Uma presença menor de público e natural menor pressão poderia ter custado a perda do título.


A briga pela contratação do Varejão

A contratação do Varejão foi o início desse processo que culminou na conquista do NBB 2018/19. O primeiro contato ocorreu em agosto de 2017, mas naquela época não houve interesse do atleta em vir para o Flamengo, por ainda esperar uma oportunidade na NBA.

Em outubro do mesmo ano, o empresário do Anderson nos liga, dizendo-se interessado em fazer um projeto para trazer o Varejão para o Flamengo. Ele afirmava que um jogador do porte do Varejão, se retornasse ao Brasil, só poderia ser para o Flamengo. Era o jogador mais carismático do Brasil no exterior, se juntando à marca esportiva mais famosa do Brasil.

O parto foi longo, discutimos mais três meses, até que em uma tarde de dezembro passamos quase umas três horas negociando por telefone os detalhes finais do contrato. Eles sempre afirmaram que não havia proposta de Franca. Tanto o empresário quanto o Anderson sempre foram corretíssimos conosco e em janeiro o atleta estava se apresentando, com um contrato de um ano e meio.

O começo foi difícil, dado que o Anderson estava fora de ritmo após quase um ano sem jogar, apenas treinando. Na reta final da primeira temporada, ele e o próprio time não foram bem. Já na atual temporada, diria que ele foi decisivo para o título. Muita presença e um cara muito bom de vestiário. No sistema agressivo de rotação do Gustavinho, nunca reclamou, sempre foi extremamente profissional, e foi encarnando aos poucos a mística da camisa do Flamengo.

Evidentemente, é um jogador que não é barato e é normal a avaliação custo/benefício ao final de um contrato. Porém, infelizmente, durante as eleições, falou-se muita bobagem em relação ao “salário dele comparativamente ao investimento e à remuneração dos atletas de outros esportes”. Para criar cizânia mesmo. Primeiro, é uma declaração ignorante, porque desconsidera que o dinheiro do basquete vem de leis de incentivo e patrocínios próprios que não pode ser aplicado em outras modalidades. Em seguida, trata-se de uma falta de respeito com um atleta campeão da NBA e uma pessoa de alto nível. Faz-se de tudo para ganhar uma eleição, espero que, independentemente do futuro, ele seja tratado com o devido respeito que merece.


Após dois anos sem conquistas, foi necessária a reformulação do elenco, iniciando pela comissão técnica. Como se deu esse processo, culminando com a contratação do Gustavo de Conti?

O processo foi duro porque começou com a saída de uma pessoa muito correta e um ótimo profissional - José Neto. Foram seis anos de convívio sincero e próximo com aquela Comissão Técnica, que havia ganho 4 NBBs. Mas era hora de trocar, o ciclo havia acabado e o desgaste (sacramentado na derrota por placares elásticos na semifinal contra Mogi no NBB 2017/18) era enorme.

Os dois lados decidiram que era melhor não renovar o contrato. Torço demais pelo Neto na Seleção Brasileira feminina.

Se queríamos mudar o estilo de jogo do Flamengo para algo mais veloz e físico, passamos a procurar um técnico. Conversamos com três, mas a nossa preferência sempre foi o Gustavinho. Não fizemos proposta a ninguém que não fosse ele (apareceu um monte de oportunista afirmando ter recebido alguma oferta do Flamengo).

Enfrentamos uma oura questão ética: Precisávamos de um técnico com urgência, porque tínhamos que formar um time. O Gustavo estava disputando a final pelo Paulistano contra Mogi. Não poderíamos esperar, mas não queríamos de forma alguma atrapalhar o Paulistano. Eu e o Marcelo pegamos um avião às 6 hs da manhã no Santos Dumont e marcamos um encontro às 7:30 hs com ele em uma padaria perto do aeroporto de Congonhas. Conversamos por mais de uma hora e ali a sinergia ficou clara. Dois dias depois fizemos uma proposta e mais uns três dias, após o acerto de alguns detalhes, já tínhamos um técnico.

A outra situação: Franca, que havia perdido a semifinal para o Paulistano naquele ano, estava cheia de dinheiro por causa do SESI e atacando agressivamente o mercado. Para se ter uma ideia, vários jogadores nos relataram que Franca fazia uma alta proposta e, no dia seguinte, um dirigente de lá (que nunca vou dizer o nome) estava pessoalmente indo na casa dos jogadores para fazer pressão para fechar. Queriam ganhar de qualquer maneira. Chegamos a perder dois jogadores que estávamos interessados por conta dessa agressividade de Franca.


A dificuldade na renovação de Marquinhos, que quase foi parar em Franca?

Dentro da agressividade que Franca estava no mercado, o Marquinhos era o alvo principal. Quando fomos conversar com o atleta, ficou nítido que ele já tinha a proposta de Franca (e o dirigente já estava esperando na porta da casa dele, rs). Não tínhamos tempo literalmente. Tínhamos feito uma proposta certamente abaixo da de Franca. Travamos um intenso debate internamente e concluímos que a importância da permanência do Marquinhos (e a não ida dele para Franca) ia além do campo técnico, representaria uma demonstração de força do Flamengo e facilitaria outras negociações. Tivemos que fazer realocações no orçamento para cobrir a proposta. Valeu muito a pena, mantivemos o nosso melhor jogador e não reforçamos o nosso principal adversário. Mas foi por pouco, talvez por 24 horas.


O Flamengo tentou Rafael Luz, Ricardo Fischer e David Cubillan, até acertar com um armador de alto nível: Franco Balbi. Como se deu essa contratação, era realmente o plano A?

Primeiro, parabéns ao Nico: MVP da Liga Espanhola e Real Madri. Muito orgulho de o Flamengo ter sido parte fundamental nessa trajetória.

É um jogador fora de série e é difícil substituí-lo. Até porque todos que vieram eram comparados a ele. Mas é bom lembrar que o Rafael Luz foi campeão da NBB. O Fischer foi uma contratação mal feita porque não nos cercamos dos cuidados médicos que deveríamos. E o Cubillan já veio no final de um ciclo desgastante da Comissão Técnica.

Mas a posição de armador é um desafio mesmo. Gostamos da escola argentina e queríamos juntar experiência e qualidade em um armador clássico. O Franco, mesmo em um time de menor expressão, havia sido escolhido como melhor armador da Liga Argentina da temporada 2016/17. Estávamos de olho nele desde a temporada anterior. Acho que ele pode crescer muito ainda, a adaptação dele foi rápida, mas pode se aprofundar muito mais. Se vai virar um novo Laprovitola? Não sei. O Franco é o Franco, o Nico é o Nico, sem comparações. Só acho que ele tem potencial para subir ainda mais o seu jogo e ajudar o Flamengo, precisamos de seus pontos e de suas sensacionais assistências.

Uma curiosidade: Quando já estávamos no final das negociações com o Balbi, nos ligou um empresário nos oferecendo o Donald Sims , um armador bem mais badalado que estava no San Lorenzo. Era uma oportunidade, Mesmo considerando os diferentes preços, decidimos que era hora de apostar no Balbi e fechamos o contrato no mesmo dia, com a concordância minha, do Vido e aval do Gustavo.


Como o Flamengo formou o resto do elenco? 

Sabíamos que precisávamos de forte rotação pelo jogo físico a ser implantado pelo Gustavo. O maior exemplo foi a nossa troca intencional de pivôs - O JP Batista, que foi simplesmente MVP do campeonato, talvez não se encaixasse no jogo mais veloz e agressivo. Achávamos que o Rafael Mineiro tinha mais essa característica, por isso o trouxemos. O Nesbitt (extremamente regular), o Deryk e o Jonathan (para desafogar o Marquinhos) eram jogadores de confiança do Gustavo e vieram de um Paulistano campeão. Estávamos observando o Kevin Crescenzi, que atendia bem as características mais físicas e de defesa que desejávamos. O David Rosseto foi o último a ser contratado, pela juventude, excelentes temporadas no Basquete Cearense e para revezar com o Balbi (várias vezes jogaram juntos também). Juntando Varejão, Marquinhos e Olivinha, ficamos com um time altamente versátil e também físico, com dois armadores natos, quatro alas e quatro pivôs, com vários jogadores exercendo duas funções pelo menos.


O que teria feito de diferente nesses anos de Flamengo?

Sem dúvida, um ponto que ficou falho foi no desenvolvimento das categorias de base. Não nos conformávamos com o fato de que o Flamengo não formava ninguém, apesar de ganhar tudo a nível estadual e ficar em posições intermediárias no âmbito nacional. Tentamos vários modelos que durante cinco anos não deram certo. Com a chegada do Gustavinho e do Diego Jeleilate, profissionais de fora, fizemos várias modificações de metodologia e de profissionais, tenho convicção de que em alguns anos as categorias de base voltarão a servir as equipes adultas, fazendo jus ao lema de que “Craque o Flamengo faz em casa”.

No profissional, talvez um erro foi não ter trocado a Comissão Técnica 6 meses antes, por conta do enorme desgaste que já estava claro. No mais, tudo foi feito com muita paixão e profissionalismo (parecem inconciliáveis, mas não são). Ganhamos 5 NBBs, 5 Cariocas (um ano não foi disputado), uma Liga das Américas, um Mundial, 5 jogos contra equipes da NBA e um Super 8. Independente dos títulos, deixamos muitos amigos e, sobretudo, reforçamos mais do que nunca a alcunha de Orgulho da Nação.

Muitos me perguntam qual foi o título mais importante dessa lista. Não vou entrar no lugar comum de dizer que “foram todos” ou o mais lógico – “o Mundial”. O título mais fundamental para essa trajetória foi o primeiro, o NBB 2012/2013, vitória contra o Uberlândia. Sabem por quê? Se a gente não tivesse ganho aquele título, o basquete do Flamengo seria descontinuado, pelo menos em alto nível. Havia tido cortes em outros esportes e a orientação era de que o basquete fosse o próximo. O título nos salvou e nos permitiu chegar à todas as conquistas posteriormente.

Como diria Phil Jackson (frase que meu amigo Marcelo Vido sempre repete), “tão importante quanto o resultado, é a jornada”. E a jornada foi linda, emocionante, muito mais que eu merecia.

Desejo boa sorte à nova diretoria. O sarrafo ficou bem alto, mas se derem liberdade ao Vido e ao Gustavo de continuarem o trabalho iniciado, esse time pode ir longe.

Quanto a mim, muito obrigado a todos pelas críticas e elogios, que só ajudaram ao FlaBasquete. Saibam que eu lia cada um deles. Desculpem qualquer coisa. Um até breve, estarei sempre por perto.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Franco Balbi leva três prêmios, porém, estranhamente, não leva o MVP


Na festa de premiação do NBB, o grande destaque foi o argentino Franco Balbi, que ganhou o prêmio de melhor estrangeiro, melhor armador e marcou presença do quinteto titular do NBB.

Na armação, Balbi superou Elinho de Franca e Jamaal do Botafogo. Como melhor estrangeiro, o argentino superou David Jackson de Franca e Kyller Fuller do Corinthians.

O Rubro Negro, em sua primeira temporada na Gávea, teve média de 10,2 pontos de média na fase de classificação e 11,8 pontos nos playoffs. Em assistência, teve média de 5,6 na fase regular e 5,7 na fase final.

A grande surpresa e estranheza foi o pivô JP Batista, que foi anunciado nessa quinta-feira como novo reforço do Corinthians, levar o MVP .

Jogando pelo Mogi, a equipe paulista ficou em terceiro lugar do NBB.

Marquinhos foi eleito um dos dois melhores alas do campeonato.

O quinteto ideal ficou da seguinte forma: Franco Balbi,David Jackson, Marquinhos, Lucas Dias e JP Batista.

O Flamengo foi homenageado como a melhor defesa defesa do NBB, que sofreu apenas 71,1 pontos por jogo, recorde histórico, conforme antecipado aqui no Ninho da Nação.